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quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

A nossa incrível capacidade de se adaptar


Ontem uma menina de 5 anos me falou que não estava gostando da sua nova escola porque o pátio era grande demais, tinha muitos brinquedos, muita gente correndo. Estranhei o motivo e questionei se isso tudo não era bom. Ela me olhou entediada e respondeu: "Preferia como era na minha outra escola, menor, mais calmo". Como adulta chata que sou argumentei que pelo menos ela estava numa escola muito boa, uma das melhores de São Paulo e que isso seria muito importante para ela no futuro. Ela meio sem interesse argumentou: "Esta escola já teve dias melhores. Hoje nem é tudo isso". 

Com medo de onde ia parar a conversa achei melhor encerrar o assunto e dar um mergulho. Sim, isso era um papo na piscina do prédio! Mas o que era para ser uma conversa completamente despretensiosa me acompanhou pelo dia. Fiquei imaginando que nós, adultos, também temos a mania de fazer comparações entre o velho e o novo e, normalmente (esta é a parte chata), em nossas comparações o que é conhecido, ou seja, o velho, num primeiro momento parece mais legal do que o novo (aquilo que ainda não conhecemos).

Para não fugir a regra, fiquei tentando imaginar as possibilidades que a mãe da menina teria para solucionar a questão e, tentar desta forma, traçar um paralelo com o que costumamos fazer em nossas vidas. Pensei em três possibilidades: 1)ela poderia encontrar uma nova escola para a menina - o que daria um trabalho enorme já que conseguir uma vaga numa escola "badalada" em São Paulo não é coisa fácil, 2)a menina poderia voltar para a antiga escola o que não resolveria o problema, pois pela sua idade, no ano que vem, ela teria mesmo que sair de lá por se tratar de uma pré escola, 3) esperar, a menina vai se adaptar, afinal, não faz nem 3 dias que as aulas começaram. É provável que a terceira opção aconteça e, no próximo encontro na piscina, a menina deve me contar empolgada o quanto a escola dela é legal, a melhor que existe no mundo! Adoro quando as crianças falam isso!

A capacidade do ser humano em se adaptar, para mim, é uma das maiores dádivas. Por mais desconfortável que seja, nós sempre nos adaptamos. O curioso, e este papo todo me fez refletir a respeito, é que parece que nós nunca confiamos o suficiente nessa nossa capacidade. Talvez se tivéssemos isso mais claro, curtiríamos mais os novos momentos, nos entregaríamos mais ao novo, sem comparações a respeito. Não estou falando de acomodação e sim, de adaptação. É fácil confundir. A grande diferença, eu acho, é que nem todo mundo tem capacidade de acomodação, mas todo ser da natureza, se adapta.

Eu trouxe uma muda de flamboyant da praia neste último verão. Quando cheguei em casa pensei que eu deveria estar louca de ter feito isso, afinal, eu moro num apartamento, numa cidade grande. "Coitada da árvore", pensei, "as chances de sobrevivência dela aqui é mínima". Pois não é que a “bichinha" está linda, forte e crescendo lá na varanda? A diferença é que ela simplesmente aceitou a sua nova condição e despencou a crescer mais e mais. Enquanto isso….eu e minha pequena amiga, vamos para piscina esfriar a cabeça para tentar nos adaptar às nossas novas condições.

Até uma árvore cresceu
dentro deste carro
em Colônia do Sacramento, Uruguai

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Coragem para seguir em frente

Sabe quando você sente muitas saudades de algo que você fazia na sua infância ou um lugar que você frequentava na adolescência, coisas assim? Aí um dia você volta a fazer aquilo: tomar um sorvete do lugar que você freqüentava com sua mãe, andar de patins numa pista de patinação que você ia com a turma da escola e percebe que agora essas coisas já não te empolgam mais. O sorvete nem é tão gostoso e andar de patins já não te desperta as mesmas sensações. Isso já aconteceu comigo inúmeras vezes e deve ter acontecido com você também. 

Mas só agora ficou claro para mim que o que ficou para trás já não tem o mesmo sabor que eu "achava" que tinha na minha memória e seguir meu caminho, focando toda a minha energia para frente, é tudo o que me resta. Mesmo que eu queira voltar para a minha rotina de antes e seguir aquele caminho confortável e quentinho, eu sei que já não será mais como antes, pois o passado já não existe dentro de mim se não como uma lembrança do que vivi. 

É assim que tenho caminhado nos últimos tempos: olhando para frente, mas principalmente olhando para dentro de mim. Buscando a verdade e a paz para ajudar a abrir todas as portas de um novo ciclo. Talvez seja o exercício mais difícil que já tenha feito, pois com consciência não há para onde escapar. Das outras vezes em que os ciclos se encerraram na minha vida - e eu nem sabia que isso estava acontecendo - eu chorava, eu sofria, eu não entendia, mas mesmo assim, eu seguia em frente e, de alguma forma, as coisas aconteciam. Isso porque a lei da natureza é linda, desde que você deixe todas as sua portas e o coração aberto. Mas antes eu achava que era tudo conseguido com muito suor e sacrifício!

Já na jornada consciente, que nos leva a um outro patamar, nos traz luz, nos coloca frente a frente com a verdade e com quem somos, o caminho não é só mar de rosas. Porém não existe em a palavra "sacrifício". Isso muda tudo! Existe uma certeza de que tudo vai dar certo, uma confiança iluminada que por mais difícil que seja vez ou outra, ainda assim, é gratificante!

De qualquer forma é bom entender: querendo ou não vamos seguir a jornada e só nos cabe decidir de que forma queremos fazer isso. O ano do cavalo, no qual entramos esta semana, não vai deixar muita dúvida de que as mudanças acontecerão. Isso porque é  um ano de grandes e profundas transformações, propício para encerrar o que não está bom em nossas vidas e finalmente colocar em prática tudo aquilo que ficou adormecido: desejos, sonhos, sentimentos. É preciso coragem e consciência para agir. 


Se não fizermos assim, as transformações estarão presentes da mesma forma, mas você vai achar que foi um ano difícil e de muito sofrimento. Afinal, a energia da transformação está no ar e ela vem com tudo. Forte e poderosa. Aproveite para colher aquilo que plantou e siga em paz pelo caminho.