Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador reflexão. Mostrar todas as postagens

sábado, 3 de maio de 2014

Uma reflexão num sábado ao amanhecer

Apesar do tema da semana sugerir uma pausa para reflexão e de ter sugerido isso a todos os meus amigos, a última coisa que eu fiz neste feriado foi parar (e muito menos refletir). Isso me fez perceber o óbvio: minha vida virou de cabeça para baixo do fim do ano passado para cá. Tudo bem que o ano do cavalo não iria deixar pedra sobre pedra, mas vamos combinar que o que aconteceu comigo não foi uma desconstrução. Foi um verdadeiro terremoto. 

Interessante perceber isso justo num sábado de manhã, pois até o ano passado os fins de semana eram sagrados para mim. Era o tempo que eu tinha justamente para dar a pausa necessária. Era quando eu cuidava das minhas coisas pessoais, digamos assim. O resto do tempo, como a maioria, não tinha tempo para mais nada a não ser para o meu trabalho. 


Agora o sábado, domingo e o feriado ganharam outra dimensão e, os últimos dois feriados, pelo menos, foi de muito trabalho. Assim como muitas segundas ou terças-feira foram total day off. Isso me confundi um pouco ainda, mas ao contrário do que eu achava não me faz mal. Pelo contrário,me faz bem, pois me sinto produzindo coisas com amor e vontade. 

Ainda não colho os frutos financeiros desta reviravolta, aliás, muito pelo contrário, estou em contenção geral de despesas. Também não estou completamente tranquila, afinal, eu preciso, de alguma forma, voltar a ter um emprego (ou algo parecido que me remunere um pouco mais). Mas todos os pontos que poderiam ser considerados negativos por mim, simplesmente eu os aceito, experimento e compartilho. Sinto que tudo está certo e que é assim que tem que ser neste momento. Se entendo as lições que o universo está me trazendo? Algumas sim, outras não. Mas sei que entenderei, pois a maior de todas as lições eu já assimilei: CONFIANÇA. EU CONFIO.

Para quem começou o dia dizendo que não teve tempo para refletir, eu diria que essa foi uma baita reflexão. E vamos em frente, pois o dia está lotado e eu estou feliz. Ótimo final de semana para todos.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Histórias para guardar no coração

Sabe aquela pessoa que chora vendo comercial? Eu sou essa pessoa. Pode parecer estranho porque eu trabalho com isso e deveria ter um olhar mais técnico, mas eu simplesmente adoro ver histórias que emocionam e tocam o coração. Em tempos de redes sociais, cada vez mais temos a chance de ver histórias lindas contadas em pequenos filmes, vindas de todos os lados do mundo. Ultimamente tenho visto muitos exemplos vindos dos países asiáticos que emocionam e fazem refletir sobre diversas questões das nossas vidas. 

Hoje fiquei com vontade de dividir alguns dos vídeos que mais gosto. São mensagens variadas, mas especialmente lindas. Alguns são até bem antigos - já que a velocidade do mundo hoje em dia faz ficar velho o que ficou pronto ontem. Veja, sinta, reflita. Espero que gostem.

UM ATO DE AMOR PAGO 30 ANOS ANTES - Comercial tailandês que grande lição sobre fazer o bem com o coração. O amor é a mensagem.




O QUE É AQUILO, PAI? - Surpreendente história de um pai velhinho que irrita os filhos com suas perguntas. Uma grande e linda lição.



O MENINO APAIXONADO - Garoto fofo que nos mostra a espontaneidade e a pureza que só as crianças conseguem ter. Dá vontade de abraçar muito o pequeno chinês!

 

PAI E FILHO: AMANHÃ PODE SER TARDE - Comercial japonês com uma mensagem muito forte. Trata-se da história que um pai, arrependido do tempo que não passou com o seu filho e da forma como o (mal) tratou. Quando parece querer mudar de atitude, um acidente trágico se abate sobre ele.


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Um casal num jardim sem flor


Senhora e Senhor, Titãs




Iniciei o texto já com a trilha sonora porque a música contextualiza o tema melhor do que qualquer história que eu venha contar. Para quem não quis clicar no vídeo, alguns versos da canção:


Veja só o que restou
Do nosso caso de amor
Uma casa com varanda
E um jardim que não dá flor

Uma geladeira cheia de comida sem sabor
Um programa interminável diante do televisor
Uma lâmpada queimada no lustre do corredor
O pensamento distante para evitar a dor

Para falar a verdade eu estava entre dois ou três assuntos para refletirmos hoje, mas nenhum batendo forte no meu coração. Foi quando uma cena me chamou a atenção: no restaurante, mesa ao lado da minha, um casal de meia idade almoçava em silêncio. Nenhuma só palavra foi trocada durante todo o tempo em que ficaram ali. Poderia ser cumplicidade, mas não pareceu. O homem mexia no telefone, a mulher pairava o olhar para o nada. A música do Titãs me invadiu.

Fiquei pensando se todos os casais estão fadados a chegar nesta fase do desinteresse total. Será que alguém chama isso de companheirismo? Dizem que com o tempo o amor se transforma em outra coisa e, de repente, o seu marido (sua esposa) se torna um amigo, um companheiro, muito mais do que um amante. Que linha tênue é essa que separa a indiferença da cumplicidade, afinal? Meu primeiro casamento não durou muito para ter uma referência. O atual não é exatamente convencional (moramos em casa separadas – ou pode-se dizer que namoramos há 8 anos). Aprendi com o tempo a não ser radical e a “nunca dizer nunca”, mas me causa arrepios pensar em passar 10 minutos ignorando e sendo ignorada por alguém que convive comigo – quanto mais anos!  Veja que usei o verbo ignorar. Não falei em silêncio. Ah....essa tal linha tênue de novo por aqui!

Ando interessada nos casais de meia idade. Mulheres um pouco mais velhas do que eu, talvez um geração anterior, que já trilharam caminhos parecidos com os meus: boa formação, trabalham fora, os filhos cresceram e os netinhos começam a chegar. Eu não consigo acreditar que essas mulheres ficaram num casamento infeliz por medo, conformismo, pelos filhos. Os homens eu consigo, mas as mulheres? Posso não querer acreditar, mas sei que é provável que ficaram. Até hoje ficam! Minha geração fica. Me entristeço com isso.

Mas me entristeço mais pelos casais que se amam e se conformaram com a indiferença. Uma vez uma terapeuta me disse que um casal deveria assinar um contrato falando, entre outras coisas, que eles iriam se provocar mutuamente até o fim dos seus dias. Não apenas no sentido sexual, mas em todos os sentidos. É dever um do outro: dar cutucões, acordar o outro para a vida, mostrar que existe pulso e que a vida não acabou apenas porque restaram só os dois em casa. Existe muito mais do que o olhar tão desbotado que já não distingue cor. Mas precisa de atitude para isso acontecer. Como tudo na vida.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

O cesto de carga e o espaço sagrado


Imagine as cenas: você encontra o vizinho, na saída do elevador e diz “tudo bem?”(que neste caso nada mais é do que “oi”) e o cara, simplesmente despeja um monte de coisas em cima de você (normalmente só desgraças). Você combina com uma amiga de almoçar para bater papo, mas ela fala sem parar o almoço todo, trazendo dilemas mil para mesa e mal deixando espaço para você se expressar. Um colega de trabalho é promovido e você vai parabenizá-lo acreditando que ele está feliz, mas quando o encontra ele só fala mal do chefe, diz que achou estranha a promoção e por aí vai. Um parente te procura porque precisa de conselhos e você se dispõe a ajudar. Ele vai até sua casa, conta o problema, mas na hora do conselho você percebe que ele nem está prestando atenção. Na hora você até releva, afinal, talvez ele precisasse apenas desabafar. Mas à noite, falando com seu irmão, descobre que ele já esteve com metade da família pedindo o mesmo conselho.

Tenho certeza que enquanto você lia, alguns nomes passaram pela sua cabeça. Se não foi um vizinho, foi um conhecido. Se não foi um parente, foi um amigo e assim por diante. E sejamos sinceros, nós também, às vezes, estamos no lado oposto. Nada mais humano, afinal, um dia ou outro você está um pouco mais pessimista. Mas a verdade é que tem gente que parece que anda com um nuvem preta em cima da cabeça, não é? É aquela pessoa chata, pesada, que suga energia. Para descontrair e não deixar o clima sufocante, cito Millôr Fernandes que dizia que o chato é aquela pessoa que conta tim tim por tim tim e depois ainda entra em detalhes. Oswaldo Montenegro (para muitos um “chato de galocha”) fez até uma música sobre tema: ah, todo chato é gosmento, mas não há como evitar, eu sou um chato e meu Deus não me aguento, só me tacando no mar.

Pegando o gancho do cantor, já que não podemos evitar pessoas assim, podemos estar conscientes para tentarmos não ser uma delas. No livro As Cartas do Caminho Sagrado, a autora Jamie Sans nos conta a respeito da cesta de carga. Antigamente as nativas americanas usavam este objeto para carregar lenha. Quando não estavam sendo utilizadas, as cestas ficavam penduradas do lado de fora da Tenda para lembrar ao visitante que deveria deixar suas queixas ou problemas pessoais ali, antes de entrar no Espaço Sagrado do outro. Adoro a sabedoria desses povos!

Hoje em dia falta o respeito pelo espaço sagrado. Parte dessa atitude se explica pela falta de autoconfiança das pessoas. Se estivermos equilibrados e confiantes somos capazes de liberar nossos fardos sem fazer deles um drama, encontrando nossas próprias respostas internas. Não estou dizendo que não devemos dividir momentos difíceis com as pessoas que confiamos, estou dizendo que o ideal é não fazermos das nossas questões um palco aberto.

Uma outra reflexão sobre o tema é para os “bons ouvintes”. Normalmente eles costumam respeitar o espaço do outro, mas esquecem de respeitar o seu próprio espaço sagrado e fazem dos seus ouvidos, literalmente, um pinico. Se você é assim, lembre-se: se não é função dos outros resolver seus problemas, também não é sua obrigação resolver os fardos alheios. Selecione as pessoas que você realmente se sente bem no papel de confidente e feche seus ouvidos para o resto. Proteja-se ou viverá sempre cansado e sem energia de tanto querer ajudar quem nem respeita a sabedoria oferecida por você.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

O dia em que a amorosidade me atrapalhou



Hoje tinha a intenção de falar sobre as senhorinhas poderosas, conhecidas também na rede como “sexalescentes”, mas uma palavra tomou conta de mim  e enquanto não tirar isso da frente, não vou conseguir escrever sobre mais nada.

A M O R O S I D A D E.

Esta é a palavra. Me perdoem se está virando um vício, mas tenho ido atrás da essência das palavras antes de falar sobre elas. Sendo assim, na definição do Aurélio, o dicionário, AMOROSIDADE é um substantivo feminino que significa qualidade do que é amoroso (amoroso+dade). Portanto a palavra que de fato procuro é amoroso, a qual o mesmo Aurélio, explica como sendo um adjetivo com alguns significados:

Que sente amor
Amorável; propenso ou inclinado ao amor
Brando, suave
Doce ao tato, liso, macio

A título de curiosidade, amoroso também pode ser um substantivo masculino que significa o galã de uma peça teatral. Além de ser uma planta espinhosa empregada em sebes vivas, no Sul de Minas Gerais. Não que eu saiba o que seja “sebes vivas”, mas o Aurélio tem dessas: mata um curioso porque seu saber não tem fim. Portanto, deixei o significado botânico de lado.

Sou amorosa. Me refiro ao adjetivo. Herança do meu pai. Da minha mãe herdei a potência (pleno poder) e sempre me perguntei se essa combinação não era estranha. Sou de uma época onde ainda o mais comum era ter mães amorosas e pais poderosos. Mas isso é assunto para outro dia.


Enfim esta característica (ser amorosa) nunca atrapalhou - nem ajudou - diretamente na minha carreira. Até o dia que recebi um feedback que ser assim era um problema e eu precisava me tornar mais agressiva. Do dia para a noite minha amorosidade ameaçava não só a mim, mas a uma equipe toda.

Eu sou amorosa, mas não sou ingênua. Eu entendo que o mundo corporativo precisa de pressão, agressividade, força, etc, etc, etc. Quantos nomes mais se dá para a força motora que move empresas, capitalismo, consumo, dinheiro? De mais a mais, se quisesse fazer da amorosidade uma profissão, teria sido freira e trabalharia num convento. O que quero dizer é que apesar de entender o feedback e - até considerá-lo genuíno - minha vida profissional nunca mais foi a mesma desde então.

O que eu descobri é que a palavra agressividade virou desculpa para falta de educação, desrespeito, insegurança, egoísmo, maldade, violência (até) e tantos outros adjetivos que circundam empresas e profissionais. Agora vou provocar, nós mulheres, que nos gabamos tanto por termos conquistado nosso espaço neste ambiente público: não ajudamos em nada a suavizar os equívocos do que seja agressividade corporativa, digamos assim. Pelo contrário, nós só pioramos isso. Costumo observar as mulheres nos elevadores onde trabalho: sempre dando ordens, mandando, ameaçando. Tenho a impressão que por baixo do terninho Chanel bem cortado, elas vestem aquela roupa do Rambo. Estão em guerra. São bélicas. E me pergunto: por quê? Medo? Reflexo? Intuição? Memórias herdadas de um passado de opressão? Tudo bem, eu entendo, mas ainda assim, eu me pergunto: por quê?

Às vezes me pego pensando em como seria o ambiente corporativo se as mulheres tivessem trazido mais qualidades femininas para ele. Teríamos equipes mais harmônicas, suaves, leves? Talvez não combine mesmo, mas eu adoraria experimentar.

E quanto ao meu feedback (se é que alguém está interessado nele): já vivi o suficiente para saber que a proporção da minha agressividade é igual a da minha amorosidade e me decidi pela última. Estou tentando fazer disso uma qualidade e não um defeito. As cenas dos próximos capítulos ainda estão por vir.