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quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Essencial é se aceitar. Mesmo sem cabelos!

Outro dia estava contando a história de uma fatalidade que aconteceu em nossa família para o meu filho. Conforme ele me perguntava coisas e eu respondia (ou tentava) percebi o quanto esta história envolvia as questões de isonomia e poder que temos falado por aqui. 

Trata-se de uma história de amor, não necessariamente com final feliz, mas com o final que foi possível para os envolvidos. Era um casal jovem, bonito, com um grande futuro pela frente. Ele, muito inteligente, era um jovem PHD que já havia morado em diversos lugares do mundo e que adorava estudar. Ela era linda. Tinha os cabelos compridos até a cintura, bem lisos. Era artista.  Era bastante vaidosa também. O marido era mais tranquilo quanto a isso, mas orgulhoso pela mulher que tinha. A vida dos dois era boa. Ainda não tinham filhos, então aproveitavam o melhor que o conforto material poderia proporcionar. 

As coisas mudaram no dia que um aneurisma fez a moça chegar ao hospital quase sem vida. A primeira providência foi raspar os longos cabelos dela, afinal, era preciso abrir a cabeça para que os médicos pudessem salva-la. Ela se recuperou fisicamente, mas teve sequelas que foram difíceis aceitar. Apesar das dificuldades motoras tenho cá para mim que o pior impacto para ela foram os cabelos. Ela odiava aquele novo visual e isso a deixava muito raivosa. O marido foi muito bacana. Como engenheiro mecânico rodou o mundo em busca de soluções que trouxessem conforto a ela e ao seu dia a dia. Para ele, passado o susto, a vida seguia seu rumo e tinha orgulho muito mais orgulho da mulher agora. Fez o que pode para seguir em frente e estava disposto a qualquer mudança para que tudo ficasse bem. Aquilo para ele era só mais um aprendizado. 

Para ela as coisas não eram assim. Ela se sentia inferior, obrigada a depender dele e quanto mais ele tentava faze-la independente mais ela achava que ele a insultava. Se separaram depois de todas as tentativas dele em continuarem juntos. Ela voltou para a casa dos pais onde se sentir subjugada pela sua condição, doía menos. Ele sofreu tudo que tinha para sofrer e seguiu em frente.


Aí você vai me perguntar: o que isso tem a ver com o tema da semana? Vejo nesta história um exemplo de como as coisas podem não funcionar se não aceitarmos os nossos próprios desafios e o dos outros. A revolta da moça pela sua condição e o fato de perder todos os seus símbolos de vaidade e de poder a fizeram refém da situação. Nem o amor do marido que tanto fez pela aceitação foi suficiente. Esta história aconteceu  há quase 20 anos, mas ainda me emociono ao perceber como é difícil para nós, humanos, deixarmos nossa soberba de lado e viver o essencial. E para um relacionamento saudável este exercício é fundamental.  Até rimou. Como se fosse poesia.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Relacionamento amoroso feliz é uma conquista sem competição.

Nas últimas semanas temos falado sobre poder, e qual é o novo poder que está se configurando nas nossas vidas. Nesta semana vou trazer esse tema nos relacionamentos amorosos felizes. No final de semana passada comemorei mais um ano do meu relacionamento amoroso, celebramos onze anos de felicidade, sem nenhum exagero nessa expressão. É comum que pessoas que convivam conosco perguntem qual é o segredo para vivermos esse amor feliz. Sinceramente, não sei se existe um segredo ou uma receita para dar porque cada pessoa é uma história, com suas expectativas, medos e sonhos. Num casal isso é literalmente multiplicado por dois e essa aritmética precisa dar um resultado harmonioso. Não é fácil. Nada fácil. Mas é possível.

Durante o final de semana refleti sobre tantos casos de relacionamentos que tenho ouvido ao longo de meus anos de pesquisadora. Pensei sobre meu relacionamento e o que ajuda a obter essa tão desejada felicidade. O que fica claro - claríssimo vamos dizer - é que viver uma relação amorosa feliz é uma conquista obtida dia-a-dia. Consciente, esforçada e focada. Mas diferentemente do que associamos ao conceito de conquista, nesta, não há competição porque não há - ou não deveria haver - perdedor. E nisto penso que a relação-amorosa-feliz, se aproxima do novo poder, o poder isonômico que vimos falando. 

No novo poder, como temos visto nas últimas semana, a hierarquia é menos relevante, o exercício de poder se faz sem subjugar. A conquista de uma relação-amorosa-feliz, pela minha experiência pessoal e meus estudos me mostraram até agora, está baseada justamente nisso: na isonomia, ou seja, direitos iguais mesmo entre seres bastante diferentes. Há o respeito às diferenças sem querer igualar o outro.

Descompromissadamente, criei alguns pontos aos quais credito a minha relação-amorosa-feliz: o primeiro é o desejo profundo que a relação dê certo e isso ser maior do que nosso ego. A auto-importância torna-se menor. Para deixar claro devo dizer que o que entendo por auto-importância é colocar nosso eu, nossa pessoa e persona na frente de tudo - nossas vontades, nossa opinião, a nossa "verdade". Sei que isso é contrário ao que temos lido por ai. Nas últimas décadas a crença de "ame-se primeiro" tem tomado conta de todo discurso de auto-ajuda. E ele é verdadeiro, porém, no caso de um relacionamento amoroso, o ceder, o deixar o ego de lado em prol do que é justo e correto para a relação, considero fundamental. E para aplicar e praticar a justiça, sem dúvida, o eu fica menor. Não tento convencer e impor o que eu quero, o que me deixa feliz, mas o que - com o distanciamento devido do meu eu - considero justo para os dois. Assim, ambos cedem nos seus devidos tempos e assuntos. E não há sacrifício nisso. 

E aqui vem o segundo ponto fundamental na minha relação: não há vítimas. Ninguém se sacrifica. Não consideramos o sacrifício um honra, um valor, muito menos amor. Amor a dois não implica em sacrifício. Amor, para nós implica dar e receber, ceder sob a ótica que consideramos justo. Se é justo, não é sacrifício. São trocas. Aliás, há muitos anos uma mestre querida me explicou isso: o amor não necessita de troca mas de doação. O relacionamento sim precisa de troca. Compreendi que podemos amar profundamente e optar em não nos relacionar porque essa relação nos machuca. Compreendi também que se sacrificar por amor pode ser um vício, um forma que a pessoa tem para operar no mundo. E essa opção costuma ser bastante manipuladora. É uma forma de poder sobre, como falamos a semana passada, que implica em subjugar alguém. 

O terceiro ponto, ligado, claro, aos anteriores, é que só estamos juntos porque essa relação nos faz feliz. É um círculo vicioso, estamos juntos pela felicidade que temos de estar juntos. Não há nada mais que nos ate fora o amor e a felicidade. Somos independentes, em todos os sentidos, menos na felicidade. Engraçado, não é? Tenho certeza que seria menos feliz sem meu marido. O foco, portanto, é a felicidade, não meu marido nem nossa relação. Mas para obter a minha felicidade preciso da relação amorosa com meu marido para tê-la. Então, como não cuidar desse bem tão precioso? Uso toda minha autonomia e disciplina para obter o que desejo, ou seja, pratico o poder para, que falamos a semana passada.

O quarto ponto que trarei aqui - de uma lista que fiz - tem a ver com o cuidado e o autoconhecimento. Para cuidar adequadamente precisamos nos conhecer e conhecer ao outro. Temos repetido aqui incessantemente a necessidade de autoconhecimento para evolução. Entendendo aqui que a evolução significa para mim, ter maior capacidade de optar consciente o que traz tranquilidade, paz e felicidade. Aumenta nossa capacidade de amar.

Existem milhares de formas de autoconhecimento e, para mim, as mais eficientes, dependem da ajuda de terceiros. Penso que se autoconhecer sem a ajuda de um especialista, independente da linha de atuação, é não querer ir fundo no conhecimento sobre si mesmo. Respeito a opção, até porque compreendi que deva haver muita dor por baixo dessa resistência, mas também aprendi que essa dor é como uma pus que fica latejando e infeccionando tudo ao redor. Uma hora vai ter que abrir e limpar, porque como disse Jung "o inconsciente quando não trazido a luz, vira destino".

Boa semana a todos.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

O poder isonômico. O movimento humano pilar das mudanças que estamos vivendo.

O que me levou a iniciar este blog, em 11 de junho de 2013 foi a consciência que estava se acentuando de forma dramática o processo de transição que como sociedade estávamos vivendo e que a maioria das pessoas compreendia pouco sobre o que estava acontecendo com sua vida; e, o que mais me comoveu, que esse não saber, gerava dor. 

Foi assim quando captamos no Projeto Mulheres em 2010 que as mulheres todas poderosas e donas de si, estavam tristes ao constatarem que chegaram onde almejavam e, mesmo assim, continuavam infelizes; quando ouvimos os homens, no Projeto Homens em 2011, e captamos que eles estavam acuados por essa mulher poderosa mas conscientes que não queriam voltar a ser os patriarcas na sociedade, embora não soubessem bem ao certo o que desejavam da vida. Além da certeza de que a mulher e o homem contemporâneo brasileiro estavam sofrendo, mesmo com o auge econômico e o Brasil bombando na mídia, ficamos convencidos que uma mudança estrutural profunda estava acontecendo. 

Mesmo com aqueles que levantam a bandeira da retomada de modelos antigos como solução aos problemas sociais; estava claro para nós que o movimento de sair da fôrma, do molde que formatou por séculos o que era ser mulher e o que era ser homem, era um caminho sem volta. A este movimento humano chamamos de desestruturação

Ao longo desse ano e dois meses falamos basicamente sobre a desestruturação. O que é, como opera, como afeta nossas vidas no cotidiano. Falamos sobre nossas resistências às mudanças. Geramos reflexão sobre o que cria nossas "verdades", nossas crenças, como elas são criadas e como lidar com elas para poder se abrir ao novo. 

Falamos quais são os caminhos que o feminino e o masculino contemporâneo estão seguindo para se recriar. Trouxemos atitudes do dia a dia que afetam as relações mulheres e homens, tentando mostra a um e ao outro, como o sexo oposto pensa na tentativa de contribuir com a relação a dois. Isso tudo porque identificamos outro movimento humano, relacionamento romântico e companheiro. Caminho que as mulheres e homens estavam escolhendo para atravessar a crise.

Neste começo do segundo ano do blog, decidi falar sobre algo que no fundo é um dos pilares da grande transição que estamos vivendo: a mudança de conceito do que é o poder. Destrinchado no Projeto Uno, realizado pela behavior em 2013, este movimento humano, ao qual denominamos de poder isonômico, foca em como o poder conforme o conhecíamos, focado na estratificação e hierarquias está caindo por terra.

Vamos saber um pouco mais sobre isto? 

Boa semana para todos.


quinta-feira, 26 de junho de 2014

A prática torna tudo mais fácil. Até mesmo o equilíbrio na relação a dois!

Ontem foi um dia exaustivo para mim - tanto emocional quanto fisicamente. Acordei muito cedo, me preparei para uma entrevista importante e, no meio disso tudo, recebi duas notícias que me abalaram. Além disso eu sabia que teria uma agenda cheia no período até à noite.

Não estava fácil e no meio do dia eu já estava tão cansada que fui tomada por um mau humor sem tamanho. Quem me conhece sabe que dificilmente eu fico mal humorada. Mas sei bem que quando a gente está assim, costuma descontar na pessoa que está mais próxima e tentando te ajudar. Quem estava comigo era o meu companheiro de 8 anos. Ele me acompanhou na entrevista apenas para me dar apoio moral e ficou mais de uma hora passeando pelo shopping a minha espera. Isso porque ele tinha feito um treinamento de trabalho na noite anterior e praticamente não havia dormido. Mesmo assim soltei os cachorros nele. 

À noite, depois de toda agenda cumprida, estava sozinha em casa, e muito chateada por ter brigado com ele. Comecei a refletir: sem dúvida eu não tinha motivos para brigar com ele, mas por outro lado, se ele me conhece bem (e conhece) sabe que eu não sou assim. Então também não devo brigar tanto comigo mesma. Foi só um dia difícil. Respirei fundo e liguei para ele. Sem dramas, nem desculpas pedi. Apenas conversei e ele, vendo que eu estava mais calma, falou comigo calmamente, colocou o ponto de vista dele e nos entendemos. 

Não foi sempre assim. Em outros tempos, nem tão distantes assim, um dia como o de hoje teria gerado um estresse e uma briga que duraria pelo menos uns 4 dias. Ele estaria com cara emburrada, eu me penitenciando por ter sido um “monstro”. Mas a maturidade chegou e isso fez muito bem para a nossa relação. Agora a gente não quer mais ter a razão. Eu não quero mais que ele entenda o quanto a minha vida é dura e como é difícil cumprir todos os meus papéis: de mãe, dona de casa, profissional, amiga e blá blá blá. E ele não que me convencer que o problema é a minha arrogância de mulher moderna. Nos aceitamos e, principalmente, nos amamos, verdadeiramente. Ouvimos o que temos a falar e nos acolhemos. Amanhã pode ser ele que esteja de mau humor e assim, compreendemos que todos têm direito a um dia ruim. Bom mesmo é saber que conseguimos chegar neste equilíbrio. 


A escritora Elizabet Kantor escreveu recentemente um livro entitulado A Fórmula do Amor, onde ela usa as personagens de Jane Austen (autora, entre outras obras, de Orgulho e Preconceito) para explicar as diferenças no 

“vamos usar nossa especialidade natural em relacionamentos para abrir nosso caminho no campo minado das vulnerabilidades de homens e mulheres até um lugar onde ambos possam ser felizes”. 

Isso é um conforto quando colocado verdadeiramente em prática!

terça-feira, 24 de junho de 2014

Mas, afinal, qual é a mulher que o homem quer ter ao seu lado?

Desde a semana passada está circulando pelas redes sociais um texto da Ruth Manus, publicado no Blog do Estadão e que, segundo o próprio jornal, já foi compartilhado por mais de 700 mil pessoas. O assunto o próprio título entrega: "A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer”.  No relato sincero e fiel ela descreve a mulher que ela é que, provavelmente, o incrível número de pessoas que interagiu com o texto, também é. Somos, como temos falado ao longo da existência do projeto Movimentos Humanos, a mulher que ela relata já no início do seu texto: 

“Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda.

Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar.

Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”

Qual mulher não se identifica com ao menos uma ou duas características apresentadas neste descritivo? E lá vamos nós falar novamente sobre os conflitos que se inicia, muitas vezes, por conta do que somos hoje para a sociedade. Ao longo do texto ela expressa o outro lado desta mesma moeda e diz assim: 

"Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão?"

Nós do Movimentos Humanos ficamos felizes quando esta discussão ganha a proporção que este texto tomou, pois é a prova do quanto o ser humano precisa e quer debater o assunto. É desta reflexão que conseguiremos caminhar para frente: entendendo e assegurando o papel da mulher no mundo, mas compreendendo as consequências que impacta a sociedade como um todo, incluindo o próprio feminino.

A solução para encontrar um ponto de equilíbrio entre a mulher que somos hoje e o homem que consegue entender e acompanhar esta mulher só pode passar pelo diálogo, pelo amor e pela boa vontade de todos os nós. Vamos falar sobre este assunto, mais uma vez, esta semana. 

Post do jornal O Estado de São Paulo falando
sobre a crônica que inspirou a discussão da nossa semana



segunda-feira, 31 de março de 2014

Homens, sempre meninos. Uma leveza a ser reaprendida pelas mulheres.

Continuaremos a falar sobre os homens nesta semana, tema que, nós mulheres, adoramos discutir e tentar entender. Como vimos na semana passada, até onde conseguimos compreender nos projetos que conduzimos, os homens não querem a independência mas a liberdade de viver seus momentos que lhe permita alimentar sua alma: um chopinho com os amigos, jogar uma pelada, dormir sábado a tarde – toda a tarde! – entreter-se com games, viajar de moto para sempre voltar, sempre. Como me disse um dos entrevistados do Projeto Homens, “eu sou feliz, livre, na minha gaiola”.

A mulher se irrita profundamente com esse comportamento masculino. Muita desta irritação tem a ver com a sensação de exclusão do universo dele – como assim ele quer ser feliz sem mim? – apoiada na crença romântica que o casal só pode viver a dois o tempo inteiro. Mas outras vezes, a irritação vem do julgamento de irresponsabilidade que a mulher dá a este tipo de atividades: como assim, você vai se divertir se temos tantas coisas a fazer?

Pois é exatamente aqui que a relação azeda. A mulher possui, no meu entendimento, uma habilidade quase genial de realizar diversas coisas ao mesmo tempo – e neste momento não importa as origens desta habilidade. Com isso ela parece ter a necessidade de arrumar o mundo, e, na medida que vai deixando o mundo como ela acha que deve ser, retroalimenta a percepção que só ela é capaz de deixar o mundo perfeito. É quase uma antena ligada ininterrupta que a deixa tensa, vigiante, quase um fiscal. Estudei toda minha infância e juventude num colégio feminino de freiras, a congregação era francesa; creio que por isso carrego comigo a imagem da madre superiora: severa, vigiante quase um policial. É assim que muitas vezes encontro as mulheres, quando as entrevisto.

Se nesse contexto o homem decide, no meio de uma grande mudança, parar tudo para tomar um chopinho… já dá para imaginar que a Terceira Guerra Mundial está prestes a começar. Sinceramente, penso, que ela não começou ainda porque o homem, acostumou a calar e deixar para lá.

Pois é... mas é através dessa atitude de parar tudo para se dar prazer, e que no fundo transmite leveza, que o homem tem ganhado terreno. Uma característica que aos poucos vai ganhando força e reconhecimento. A mulher tem muito a aprender com esse tempo para si e com essa atitude sempre menino que o homem tem e que nós, na behavior, consideramos dois movimentos humanos importantes que estão integrando o casal.

É claro, homens, que essa atitude não pode disfarçar, como em muitos casos, irresponsabilidade e se tornar uma fuga para não enfrentar os desafios da vida e amadurecer. Mas esse é tema de outra semana.

Vamos refletir sobre isso esta semana?

Boa semana para todos.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

No amor, busque a imperfeição!


Calma! Não se irrite com  título de hoje. Vou explicar, prometo!


Na proposta de dedicarmos a semana ao amor romântico, hoje decidimos falar sobre como construir uma relação que nos acalente e o relato de diversas pessoas sobre a dificuldade para construí-las. Fiquei dias pensando num casal que pudesse servir de personagens para trazer vida ao tema e, claro, pensei em umas 5 ou 6 possibilidades, mas narrando na minha cabeça a história de cada um deles, sempre me vinha a ideia de não era o casal certo. Pensava: “não, esses não têm um casamento perfeito”!

Foi então que entendi: a beleza desta história está justamente nas imperfeições dos casais e não o contrário. Repensando as histórias por este novo ângulo, descobri algo muito interessante: os casais que tenho como base de relações felizes tem um componente comum entre eles: são feitos de pessoas sinceras, que não fecham os olhos para as diferenças reais entre homens e mulheres. E, principalmente usam isso a favor do relacionamento – e não para manipular ou ofender o outro. Como diz Elizabeth Kantor no seu livro A Fórmula do Amor: “esteja disposta a notar que homens e mulheres têm suas vulnerabilidades especiais e suas limitações, mas também têm suas vantagens especiais”.

Lembro do meu ex-sogro que sempre nos falava, no seu tom de professor (o que ele realmente era): “respeito e generosidade é o que vocês precisam para fortalecer um amor”. Vou dizer que ele amava a mulher dele. Amava tanto que não foi capaz de viver sem ela e faleceu poucos meses depois que ela se foi. Sempre achei o casamento deles um exemplo de superação. As diferenças eram muitas, mas eles queriam fazer com que o amor fosse mais importante e acalentavam a relação se nutrindo de verdades e da generosidade de conviver com suas diferenças.

No fim das contas, fazendo este texto, senti, na prática, o que de fato significa a frase: “Bonito não é amar o igual. Bonito mesmo é amar (e aceitar) o diferente”. É isso que realmente aquece nossos corações.

Resolvi ilustrar o texto de hoje com música bonitinha que celebra o amor. Porque coragem se expressar o que se sente também é muito importante para fazer uma relação a dois florescer.




terça-feira, 1 de outubro de 2013

Não dá para ser invisível na relação a dois


Coincidência ou não (acredito mais em sincronicidade) no sábado passado eu almocei com duas amigas e assunto principal do almoço foi em torno do assunto que fecha o texto de ontem da Nany: "por que atraímos sempre um mesmo tipo de pessoa"? 

Este era o questionamento de uma das minhas amigas e, apesar da intimidade que temos, ela não é daquelas que vive reclamando da vida e dos relacionamentos. Até me surpreendi com o desabafo! Fazia tempo que não nos víamos e a última vez que falamos ela estava namorando com um homem que, no passado, ela já havia se relacionado. Eles se reencontraram meses atrás e tudo estava indo muito bem. Quando perguntei como estava a vida a dois e ela me disse que terminaria com ele naquela noite. Tinha cansado de ser "invisível", ou seja, a sensação é que ela não existia na relação. Tentei argumentar achando que era uma daquelas brigas normais de casais, mas estava enganada. Ela estava inconformada com o egoísmo e a incapacidade do outro de se colocar no seu lugar. E repetiu diversas vezes a frase: eu não sou uma mulher invisível e eu não vou me anular pelo outro. Ela está certa! 

Ao mesmo tempo ela se perguntava: "por que não sou capaz de encontrar uma pessoa normal? Que viva de bem com a vida?" Passei o fim de semana me perguntando isso. Ela é realmente uma das pessoas mais de bem com a vida que eu conheço. Nunca a vi de mau humor. Já viajei com ela, dividi o quarto do hotel (que é, para mim, uma das coisas mais complicadas que existe ao  em termos de relacionamento e ela foi perfeita). Sempre levando tudo na esportiva, aceitando sugestões, muito fácil de lidar. Além disso é independente, tranquila, descolada, bonita. Tem a invejável segurança de ir para as baladas sozinhas, se divertir, pelo simples prazer da diversão. Além disso, nunca a vi  falando mal de ninguém, julgando, condenando. Mas também nunca a vi falando de si mesma. Quais são realmente seus desejos, ansiedades? 

Analisando o tema da semana parece que comecei a compreender o que estava acontecendo com minha amiga: as qualidades dela podem também ser a chave para o que não está saindo tão bem. O que ela realmente deseja de uma relação? O quanto fica claro ao outro que ele está sendo amado, desejado, fazendo parte do relacionamento? Parece estranho porque realmente conheço poucas pessoas tão fáceis de se relacionar como ela, mas o fácil também é cômodo. Dificilmente te coloca a prova, te desafia. Pode ficar sem voz, sem cara, sem sentido. 

A parte boa – eu sempre procuro ver através das minhas lentes cor de rosa – é que sábado, pela primeira vez, vi uma certa indignação, um tom de "não estou tão feliz assim com o que está me acontecendo". Vi minha amiga saindo do seu próprio casulo e gostei de ver aquela mulher, que tanto admiro, se mostrando tão mais na sua própria essência. Me vi ali também. Porque eu tenho um certa tendência a ser como ela: nos fechamos e mostramos ao mundo algo encantado, irreal. Bom saber que a maturidade tem trazido o nosso humano para fora, pois é a nossa chance de vivermos relações verdadeiras e não um "faz de conta" que não existe.


segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O amor romântico está no ar! Ele nos salva do quê?

Amar e ser amado pela sua alma gêmea, todo mundo quer. O mito do amor romântico que nos deixa "felizes para sempre" acompanha a humanidade há muito e muito tempo e, olhem só: é o maior sonho das mulheres e homens contemporâneos brasileiros que encontramos no Projeto Mulheres e no Projeto Homens. Embora o Projeto Mulheres tenha acontecido há mais 3 anos, ele continua reinando vigorosamente.

O que leva mulheres e homens a quererem tanto viver um grande amor romântico? Esta semana será dedicada a esse nosso sonho mais precioso. Traremos aqui alguns conhecimentos que te ajudem a refletir e, com isso, continuar mais consciente, teu caminho de desenvolvimento.

Falaremos primeiro sobre a crença de que o amor romântico tem o poder de nos salvarÉ como se ele nos tirasse de uma área cinzenta e nos colocasse numa dimensão colorida. Os mitos que carregamos criam imagens internas que nos conduzem. Quanto mais consciência temos deles, mais temos domínio sobre essas imagens internas e suas consequências em nós. Mais protagonistas somos de nossas vidas.

No caso do amor romântico, a imagem que me vem quando ouço os entrevistados falarem sobre seus sonhos e expectativas a respeito, é como se fosse um filme que os mostra sobrevivendo a cada dia, na sua rotina diária. Algumas vezes têm momentos de alegrias e diversão, outras nem isso. Essa vida pode não ser cinzenta, mas falta brilho. E ai, como num passe de mágica, o amor romântico os toca - ou deveria tocá-los - e ai tudo muda. É como se começassem, de fato, a viver. Há uma intensidade, um brilho na vida que os deixa leves e felizes. Começam não a viver, mas a flutuar. E assim levam a sua iluminada vida adiante até se arrebentarem passos para frente. 

Existe toda uma construção cultural em relação à necessidade que sentimos de ter alguém ao nosso lado. Sem dúvida, o mundo contemporâneo, mesmo com todo o ganho de modernidade e liberdade inserida nele, foi feito para estar no mínimo a dois. Tanto mulheres como homens sentem-se melhor aceitos socialmente, quando acompanhados pelo seu par. Estar só e interagir socialmente só, é como se tivesse algo de errado conosco, de inadequado.

E esse é um dos pontos do qual o amor romântico nos salva: do sentimento de inadequação social. Muitos dirão para mim, que não se importam como o quê dirão. Desculpem, mas não conheço ninguém que viva isso na realidade plenamente. Conheço sim pessoas, raríssimas, que vivem uma liberdade sobre o social admirável. São tão poucas que não posso nem trazê-las aqui salvo como exemplo que isso, com muita luta e força de vontade, é possível. Mesmo aqueles que construíram uma vida descolada dos valores e atitudes da grande massa, na minha opinião também se interessam pelo quê dirão, tanto assim que muitos tentam, insistentemente, mostrar o seu descolamento social.

Nós, seres humanos comuns, precisamos da aceitação social para viver no mundo. É isso, no meu entendimento, é saudável. Vivemos numa sociedade por opção, e isso exige convívio e o convívio exige aceitação. Quanto mais genuína for essa aceitação, mais tranquila a convivência será. Quer resolver uma questão, conviva. Não quer resolvê-la, se isole. 

A aceitação numa sociedade emocionalmente mais desenvolvida, no meu entendimento, vem pela acolhimento da liberdade individual e com isso o acolhimento de opções diferentes de viver. Sempre haverão regras sociais para que esses humanos possam conviver com certa harmonia, mas a expressão do ser tem uma boa dose de autonomia. 

O que outro pensa a nosso respeito tem tanta importância. Preste bem atenção no que vou te dizer: tem tanta importância que dedicamos uma vida inteira, a nossa, a construir o pensamento do outro sobre nós

Muitas vezes podemos escolher nossos 'grandes amores' na tentativa de estarmos adequados ao mundo que queremos ser aceitos. Uma mulher ou um homem bonito ou feio. Rico ou pobre. Inteligente ou limitado. Viajado ou provinciano. Culto ou ignorante. Divertido ou sossegado. Animado ou apagado. Poderoso ou fraco. O nosso par diz muito sobre nós e nossos desejos de aceitação. 

Diz muito sobre aquilo do que queremos ser salvos. 

Reflita ao respeito. Amanhã tem mais. Boa segunda!