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segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ritmo interno. Você sabe qual é o seu?

Aprendi que todos nós temos um ritmo interno e que quando estamos desalinhados com esse ritmo, adoecemos. Também aprendi que o ritmo interno conduz nossa forma de agir no mundo e transforma conceitos gerais em pessoais fazendo com que tenhamos um jeito de ser e agir no mundo. Outro aprendizado é que a busca pelo nosso próprio ritmo, significa a busca pela nossa própria essência e ,conhecê-los, nos integra e nos fortalece. 


Temos falado aqui sobre essência mas vocês podem estar se perguntando, o que é ritmo interno?  Primeiro são coisas distintas porém interligadas. Vamos às explicações: no nosso sempre aliado dicionário Aurélio, ritmo está descrito como "sucessão de tempos fortes e fracos que se alternam com intervalos regulares na natureza e nas artes; cadência, compasso".

Ritmo interno, como as várias tribos nativas norte-americanas, de onde aprendi o conceito, explicam, refere-se a cadência que nosso ser - essência - tem para estar e viver no mundo. Vou dar um exemplo para facilitar: ouço muitas pessoas pedirem paz nos nossos estudos de campo e isso me faz pensar constantemente o que significa a paz para essas pessoas. Provavelmente para a grande maioria signifique: cenas bucólicas, pessoas relaxando, ambientes calmos. Sendo assim pessoas animadas e divertidas têm dificuldade em se ver nesse estado, ou mesmo quererem estar nele. Buscam a paz, mas pensam que não estejam prontas, para vivencia-la.

Sem dúvida o conceito de paz está associado à serenidade - aliás prefiro este termo - e a serenidade é uma forma de se estar no mundo, portanto poder ser um tipo de ritmo interno. Neste sentido, está correta a imagem associada à paz. Mas existe uma outra forma de serenidade, aquela que vem da confiança de se saber quem se é: estar em contato com sua essência. Neste caso, serenidade depende menos de nosso estado de espírito e de nosso ritmo interno. Pessoas com ritmo vibrante por natureza podem viver serenamente de forma acelerada. Conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo porque a agilidade mental lhes permite decidir e agir rapidamente. Elas não estão no looping mental alopradamente, elas simplesmente, são mais ágeis.

Ainda confuso? Não se preocupe esta semana trataremos do ritmo interno atendendo um movimento humano que percebemos nos nossos estudos: o desejo das pessoas de desacelerar. Será que é isso? Ou será que as pessoas estão querendo entrar em contato maior com sua essência e viver com maior serenidade?

Boa semana a todos!

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Não dá para ser invisível na relação a dois


Coincidência ou não (acredito mais em sincronicidade) no sábado passado eu almocei com duas amigas e assunto principal do almoço foi em torno do assunto que fecha o texto de ontem da Nany: "por que atraímos sempre um mesmo tipo de pessoa"? 

Este era o questionamento de uma das minhas amigas e, apesar da intimidade que temos, ela não é daquelas que vive reclamando da vida e dos relacionamentos. Até me surpreendi com o desabafo! Fazia tempo que não nos víamos e a última vez que falamos ela estava namorando com um homem que, no passado, ela já havia se relacionado. Eles se reencontraram meses atrás e tudo estava indo muito bem. Quando perguntei como estava a vida a dois e ela me disse que terminaria com ele naquela noite. Tinha cansado de ser "invisível", ou seja, a sensação é que ela não existia na relação. Tentei argumentar achando que era uma daquelas brigas normais de casais, mas estava enganada. Ela estava inconformada com o egoísmo e a incapacidade do outro de se colocar no seu lugar. E repetiu diversas vezes a frase: eu não sou uma mulher invisível e eu não vou me anular pelo outro. Ela está certa! 

Ao mesmo tempo ela se perguntava: "por que não sou capaz de encontrar uma pessoa normal? Que viva de bem com a vida?" Passei o fim de semana me perguntando isso. Ela é realmente uma das pessoas mais de bem com a vida que eu conheço. Nunca a vi de mau humor. Já viajei com ela, dividi o quarto do hotel (que é, para mim, uma das coisas mais complicadas que existe ao  em termos de relacionamento e ela foi perfeita). Sempre levando tudo na esportiva, aceitando sugestões, muito fácil de lidar. Além disso é independente, tranquila, descolada, bonita. Tem a invejável segurança de ir para as baladas sozinhas, se divertir, pelo simples prazer da diversão. Além disso, nunca a vi  falando mal de ninguém, julgando, condenando. Mas também nunca a vi falando de si mesma. Quais são realmente seus desejos, ansiedades? 

Analisando o tema da semana parece que comecei a compreender o que estava acontecendo com minha amiga: as qualidades dela podem também ser a chave para o que não está saindo tão bem. O que ela realmente deseja de uma relação? O quanto fica claro ao outro que ele está sendo amado, desejado, fazendo parte do relacionamento? Parece estranho porque realmente conheço poucas pessoas tão fáceis de se relacionar como ela, mas o fácil também é cômodo. Dificilmente te coloca a prova, te desafia. Pode ficar sem voz, sem cara, sem sentido. 

A parte boa – eu sempre procuro ver através das minhas lentes cor de rosa – é que sábado, pela primeira vez, vi uma certa indignação, um tom de "não estou tão feliz assim com o que está me acontecendo". Vi minha amiga saindo do seu próprio casulo e gostei de ver aquela mulher, que tanto admiro, se mostrando tão mais na sua própria essência. Me vi ali também. Porque eu tenho um certa tendência a ser como ela: nos fechamos e mostramos ao mundo algo encantado, irreal. Bom saber que a maturidade tem trazido o nosso humano para fora, pois é a nossa chance de vivermos relações verdadeiras e não um "faz de conta" que não existe.


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ídolos: humanos ou deuses? Eis a questão.

Nunca fui de morrer de amores pelos meus ídolos. É lógico que  tenho minhas preferências entre atores e músicos, mas nunca fui de me descabelar por eles. Mesmo sendo da época em que Madona surgiu como "mega superpop star" para o mundo. Minhas amigas iam cantando suas canções no ônibus, levavam os discos para a escola e a imitavam dos pés a cabeça. Eu não gostava e nem desgostava dela, mas o que tocava meu coração era a poesia musical do Renato Russo. Parecia mais humano. É aqui que eu quero chegar. Outro dia a Beyoncé entrou na minha vida, não como um ídolo, mas como uma personagem que me fez refletir a respeito da relação entre os deuses pops atuais e seus seguidores. 

Começando do começo: semanas atrás um dos meus sobrinhos me ligou perguntando se ele e a namorada poderiam ficar na minha casa para irem ao show da cantora. Eu adoro quando minha família vem me visitar, especialmente meus sobrinhos. É claro que concordei! Obviamente eu já havia visto a Beyoncé e sei de quem se trata, mas sinceramente, se me pedirem para cantar uma música dela eu não saberia. Mas comecei a ficar mais atenta à moça por conta da vinda deles. Dias antes de chegarem, a Beyoncé desembarcou no Brasil. Eu a vi na televisão falando que gosta do país, que estava feliz em voltar e que trouxe seu filho desta vez (um bebê de colo). Gostei da figura que vi ali: uma mulher, uma mãe que se orgulha em poder trazer o filho com ela enquanto trabalha. Simpática e natural, vi uma pessoa de carne e osso. É claro que ela não estava com a cara que tem quando acaba de acordar, seus consultores de imagem jamais deixariam isso acontecer, mas ela estava lá com seu cabelo enrolado (como diz a música do Zeca Baleiro), uma maquiagem leve e de calça jeans com camiseta. Foi a primeira e última vez que a vi assim. Dali para frente só apareceu a deusa, a diva, o mito. Eu a vi poderosa e dominando os palcos com sua imagem estampada por todos os cantos. Também a vi por meio dos fãs enlouquecidos e seus comentários que invadiram as redes sociais. E dançar o tal do funk no Rock in Rio então...só aumentou a idolatria suprema dos que a amam. 




Ela não é a única, claro. Isso é o normal nos dias de hoje- se é que não era assim no passado, afinal a mitologia grega não seria o que é, se não tivesse quem cultuasse os deuses e seus poderes. E isso é o mais estranho para mim: se admira as máscaras e não o ser essencial. Se idolatra a poderosa, sua roupa e sua dança sensual. Eu estou usando esta artista, mas poderia ser qualquer outra. A questão aqui é outra. E não pensem que não admiro a Beyoncé e todas as divas que fazem por merecer! São cantoras maravilhosas, lindas e dançam como poucas pessoas são capazes. Não há como não admirar quem consegue ir além do domínio do seu própria corpo. Mas, para mim, isso deveria ser o mesmo que admirar o Cesar Cielo, por exemplo: alguém com a capacidade de fazer além do que nós, normais, fazemos. Mas sei que não é assim. Vi como minha hóspede querida ficou nos dias antes do show: toda a ansiedade, todo o desejo puro, genuíno, sincero, de ver alguém que ela ama tanto, ali, diante dos seus olhos. 

Gostaria de ser mais visceral com meus ídolos para entender porque a mulher de pernas esculturais, cabelo bonito, beleza delineada, simpática e carismática tem que ser muito, mais muito mais do que isso nos palcos. Tem que ter as tais 5, 10, 17, ou seja lá quantas meias que dizem que usa, para ter pernas perfeitas ao invés de pernas lindas. Ter a roupa mais sexy, ao invés de um lindo vestido, uma postura de um "sou um ser superior".  E  o nome da turnê é Mrs Carter, ou seja, senhora Carter (esposa de Shawn Corey Carter, mais conhecido como Jay-Z)! Não faz nenhum sentido para mim! Não poderia apenas ser uma tremenda cantora e bailarina que também é mulher, esposa e mãe? Às vezes fico com receio de que todo este culto ao efêmero é a pior sabotagem que podemos cometer contra nós mesmos. Mas infelizmente, só poderia responder com propriedade, como disse, se tivesse uma relação muito mais apaixonada com meus ídolos.

Fiquei me perguntando se já não tinha chorado de alguma forma com algum pop star. E lembrei que chorei (e não estou sendo irônica): num domingo de chuva assisti ao filme do Justin Bieber, Never Say Never. Chorei muitas vezes no filme. Mas percebi que o meu choro não serve para elucidar a questão, pois não chorei nos momentos em que o menino se transforma no ídolo juvenil. Chorei quando, dias antes de uma apresentação muito importante em NY, ele teve dor de garganta e se sentiu mal. Tudo que queria naquele momento é que seus avós ou sua mãe viessem se encontrar com ele. Era o menino que tinha idade e direito de se sentir doente. Chorei quando a tutora de canto dá uma dura nele, como se falasse com um homem de 40 anos. Doeu ver o menino ali tendo que ouvir palavras tão duras, sozinho, responsável pelo sucesso e ameaçado pela derrota. Chorei quando ele voltou para a cidade onde nasceu, no Canadá, e simplesmente encontrou os amigos que deixou por lá e, juntos, jogaram basquete. Chorei com o menino. Chorei porque sou mãe. Chorei pelo humano e não pelo mito. Para mim é assim.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A essencial sabedoria das crianças

Vídeos de crianças fazendo gracinhas nas redes sociais é um clássico garantido de sucesso. Vira o que nós, publicitários, gostamos de chamar de "hits da internet". São especialmente bem aceitos porque a criança é essência, portanto, sempre sai muito mais espontâneo. Me chamou a atenção dois destes vídeos que "bombaram" nas redes nas últimas semanas. 

Primeiro veio o do menino que argumenta carinhosamente com a mãe porque ele não quer comer o polvo. A voz do menino é de uma doçura tocante! A surpresa é que você acha que vai ver mais um fofurinha e dar muita risada, mas o que acontece é que o menino passa uma mensagem poderosa e emociona a mãe. Muito lindo. O outro vídeo é de uma menina - e foi menos divulgado. Ela é bem falante e alguns momentos até parece que ela está simplesmente repetindo palavras que ela ouviu de alguém. O que, por si só, não deixa de ser emocionante porque a  mensagem é muito bonita. Mas a sensação de que ela está fazendo aquilo de forma mecânica desaparece nos minutos finais quando ela está interagindo com a família sobre assuntos mais do universo infantil. Ao menos para mim, ficou claro que esta menina é especial mesmo. Os vídeos estão no final deste texto.

Os que acreditam que estamos entrando numa nova era, afirmariam que estes dois pequenos são exemplos de crianças "cristal" (essência pacificadora), que estão vindo ao mundo para ajudar as crianças  e jovens chamados de índigos - que já são seres de uma nova era, mas com uma essência guerreira que chegam ao nosso planeta com o papel de nos guiar a uma nova dimensão. Não vou entrar no mérito, mas se você se interessar pelo assunto, o trabalho da Casa Indigo parece ser bastante sério e você pode buscar mais informação no site da Instituição que é de origem portuguesa.

A intenção da reflexão de hoje, no entanto, é sobre a essência da criança e de quanta sabedoria existe nela. Não existe nada mais restaurador do que estarmos conectados com os pequenos. Ouvir e entender o que eles dizem são ensinamentos simples, claros e essenciais que nos ajudam em momentos que a nossa couraça adulta só atrapalha. 

Lembrei de uma senhora com quem trabalhei anos atrás. Ela sempre falava que costumava dizer que cometeu muito erros no passado e que se tivesse a chance de voltar atrás faria tudo diferente. O filho cresceu ouvindo ela falar isso. Um dia, quando ele tinha lá seus 7 ou 8 anos, ele simplesmente vira para ela e diz: "o problema mãe é que você escreveu a sua história com caneta, se tivesse escrito a lápis talvez desse para apagar". Eu adoro esta frase!

Meu filho também sempre foi cheio de tiradas que me ensinaram muitíssimo. Passei, depois de um tempo, a anotá-las porque gostaria de levar esta sabedoria pela vida inteira. Selecionei duas das suas frases que são as minhas preferidas. A primeira foi quando estávamos indo a uma festa junina numa chácara. Me perdi no caminho e tentei permanecer calma, mas como não conseguia de jeito nenhum sair do labirinto que estávamos, fiquei muito desesperado e disse em voz alta: "meu deus, não sei mais para onde ir". Então escuto aquela vozinha do menino de 6 anos dizendo: "Buda disse que é sempre melhor irmos pelo caminho do meio". Aquilo foi tão inesperado que comecei a rir descontroladamente. Me acalmou e consegui sair pelo que considerei "o caminho do meio". Perdemos a festa, mas aquele dia, Buda nos salvou. Depois descobri que ele estava estudando a história das religiões na escola e foi lá que ele ouviu falar do Buda e seus ensinamentos. Uma outra vez, mais ou menos na mesma época, ele me questionou porque eu estava demorando tanto para tomar uma decisão. Disse a ele que precisávamos tomar cuidado ao fazer escolhas porque o risco de levar um tombo e nos machucarmos era muito alto. Ele respondeu: "Ah mãe pode ir muito mais depressa porque tem paraquedas dentro de você. Você só vai se machucar se não usar o seu". A imaginação é simplesmente incrível, não? Toda decisão que tenho que tomar até hoje lembro-me desta frase.

Por isso digo: esteja com seu coração aberto e seu ouvido e olhos atentos às crianças. Seja grato se puder conviver com elas. A sabedoria e a pureza desses pequenos seres podem te dar muita luz e discernimento.