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sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tome uma xícara de chá


A dica do fim de semana é a mais simples que poderia existir: tome uma xícara de chá! Em Zen "tome uma xícara de chá" significa tenha um pouco de meditação, tenha um pouco mais de consciência. Então, todas às vezes que lembrar dissourante o fim de semana, pare e tome uma xícara de chá.
Deixo um lindo poema que descobri durante esta semana nas minhas pesquisas a respeito de ritmo interno. Leia para acompanhar o chá e aprecie as lindas e sábias palavras de Oriah Mountain Dreamer, no poema chamado O Convite:

Não me importa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer seus anseios do seu coração.
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.
Quero saber se você consegue conviver com a dor,a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.
Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria,a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas,que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu,e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!"
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia.


quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O que o coelho da Alice e a lebre da tartaruga tem a ver com isso?


Tentando buscar inspiração para continuarmos o tema da semana (ritmo interno) fiquei me questionando: tudo isso tem a ver com totalidade na ação.  Veja: uma das ideias éramos falar em cadência, ou seja, termos sempre um mesmo ritmo para não nos cansarmos logo na largada, mas para ter gás para chegar até o fim. Outra ideia era abordar o assunto pelo aspecto de que ao agirmos de acordo com o ritmo interno, não cansamos, ou seja, desmistificamos a ideia de que o ritmo interno tem que estar atrelado ao descanso ou mesmo a uma mudança radical de vida. No fim, tudo que encontrei como referência - literatura, vídeos, entrevistas - me levavam ao mesmo lugar: totalidade na ação. Joan Borysenko, especialista em administraçãoo de estresse e doutora em ciências médicas pela Escola de Medicida de Harvard diz no seu livro Paz Interior Para Mulheres Muito Ocupadas:

"Aos poucos a vida passa e você começa a se perguntar onde esteve durante todos esses anos. Quanto mais ocupado é o dia, maior a probabilidade de você  se transformar em um cometa no espaço zunindo pela galáxia com o piloto automático ligado. É como estar sonâmbulo e quando você volta “de repente” nota que está com seus ombros e pescoços tensos como uma rocha.  Você simplesmente não sabe como ficou assim.” 

Lendo esta parte do livro, nua e crua,  parece até exagero, mas pare para pensar quantas vezes isso já não te aconteceu só hoje? Os budistas dizem que ser total na ação é estar livre dela. Esta é a verdadeira meditação que te leva ao seu próprio ritmo. Nas coisas mais triviais da vida temos que estar absorvidos, intactos, entregues. O mesmo acontece (ou deveria acontecer) no trabalho, nos nossos momentos de diversão e até mesmo quando descansamos. Quantas vezes você passa um fim de semana em casa, sem fazer nada aparentemente e, na segunda-feira sente-se cansado como se simplesmente não tivesse existido esta pausa? 

Esta consciência da integridade na ação, de não deixar seus pensamentos escaparem para os lados, é que o torna mais produtivo, mas feliz e mais conectado com o todo. Seu ritmo é a sua consciência presente. O estar intacto e entregue a tudo que faz. Busque esta consciência e será cada dia mais fácil de deixar aquela sensação de ser o coelho – seja o  da Alice que está sempre atrasado ou seja a lebre da fábula que subestima a tartaruga e dorme.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Na hora da pressa tome uma xícara de chá

Esta semana está bem corrida e fora da minha rotina por conta de um evento que estou fazendo. Sabia que seria assim há meses, aliás. Nem por isso deixei de sentir aquela sensação de angústia por achar que tenho mais coisas para fazer do que meu dia me permiti. Foi assim que acordei às 5:50h, sem se quer olhar para o céu e agradecer por este dia – coisa que faço desde que tenho uns 5 anos de idade! Fiz o café da manhã para o meu filho da forma mais automática que eu alguém é capaz de fazer algo, pois meu pensamento estava obcecadamente focado em listar todas as coisas que eu tinha que fazer hoje, especialmente para dar conta de dois compromissos que estão marcados e que não quero furar – um na hora do almoço e outro no início da noite. Foi assim que coloquei o café na mesa e chamei meu filho. Dali já fui logo para o meu escritório adiantar algumas das minhas tarefas e listar todos os afazeres do dia para não me perder. 

Era 6:30h da manhã e eu já estava absolutamente envolvida com o mundo lá fora, sem me dar conta do furacão que se formava no mundo aqui de dentro de mim. Tinha que começar a definir aquilo que não ia conseguir fazer e pensei que deveria avisar a Nany que hoje não daria para escrever no blog. Esta decisão é difícil para mim, pois escrever no Movimentos Humanos é um dos compromissos mais sérios que assumi nos últimos tempos, uma das minhas prioridades. E estava eu ali, diante da decisão de enviar uma mensagem dizendo que ia “furar”. Não se trata de deixar de fazer algo para a Nany, trata-se especialmente de deixar de fazer para mim (por mim) e isso me deixaria muito frustrada. 

Fechei os olhos - muito mais na intenção de pensar numa outra alternativa do que de acalmar o turbilhão mental em que me encontrava. Foi quando a voz, sempre a voz, me disse: lembre-se do tema desta semana (ritmo interno) e tome uma xícara de chá. Fiquei ali imóvel por alguns minutos, absorvendo aquelas palavras que vinham de dentro de mim.

Fui preparar o chá. Acendi o incenso que costumo usar para meditar, liguei minhas músicas de relaxamento, sentei no meu espaço preferido e comecei a respirar – fazendo o que na ioga chama-se de pranayama. Foi quando minha outra vozinha, a mental, começou a falar sem parar: “Não acredito que você está lotada de coisas para fazer e ao invés de se mexer está aqui tomando chá e respirando. Você ficou louca?”. Respondi calmamente e em voz alta: “Sim, estou louca e você pode falar quanto quiser, pois eu vou continuar aqui fazendo exatamente isso”. Foram 15 minutos em paz e uma nova vibração tomou conta de mim. Sentei novamente na minha mesa de trabalho, olhei para a parede em frente e meu olhos cruzaram com um bilhete do meu filho enquadrado há uns 5 ou 6 anos que diz assim:

Mãe...
Todas as lições estão aqui!!!! Guarde na minha mala depois. As folhas você pode deixar dentro do livro de espanhol. Ahhhh, assina também o negócio do “fut” se você deixr eu ir (em cima do computador). Bjs!!!! PH  J


Este bilhete está enquadrado porque ele me lembra de uma época em que eu tentava ser uma boa mãe (olha que lindo: eu via o dever de casa dele todos os dias!). Mas falava com o menino por bilhetes! Chegava em casa, muitas vezes, quando ele já estava dormindo! Mais do que lembrar desta época aquele quadro me diz: "existe um outro caminho". Foi o que eu fiz de uns tempos para cá. Optei! Não por trabalhar menos, pois só trabalho mais a cada dia, mas faço de uma forma um pouco menos tumultuada, atribulada, agitada e ansiosa. E quando isso começa a acontecer, eu simplesmente tomo um xícara de chá.

Pronto! Aqui está o texto do blog! Não são nem 8 horas da manhã, ainda tenho uma hora e meia para o meu próximo compromisso, metade do que estava me incomodando já foi feito e eu estou em paz. Vai ser um dia agitado, mas agora, tenho certeza, dará tudo certo.

P.S.: Só por curiosidade, deixo aqui, uma musiquinha (bem bobinha) que gosto de ouvir com a xícara de chá quando vou ficando muito ansiosa. A melodia e a letra me deixam em paz!

 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Ritmo interno. Você sabe qual é o seu?

Aprendi que todos nós temos um ritmo interno e que quando estamos desalinhados com esse ritmo, adoecemos. Também aprendi que o ritmo interno conduz nossa forma de agir no mundo e transforma conceitos gerais em pessoais fazendo com que tenhamos um jeito de ser e agir no mundo. Outro aprendizado é que a busca pelo nosso próprio ritmo, significa a busca pela nossa própria essência e ,conhecê-los, nos integra e nos fortalece. 


Temos falado aqui sobre essência mas vocês podem estar se perguntando, o que é ritmo interno?  Primeiro são coisas distintas porém interligadas. Vamos às explicações: no nosso sempre aliado dicionário Aurélio, ritmo está descrito como "sucessão de tempos fortes e fracos que se alternam com intervalos regulares na natureza e nas artes; cadência, compasso".

Ritmo interno, como as várias tribos nativas norte-americanas, de onde aprendi o conceito, explicam, refere-se a cadência que nosso ser - essência - tem para estar e viver no mundo. Vou dar um exemplo para facilitar: ouço muitas pessoas pedirem paz nos nossos estudos de campo e isso me faz pensar constantemente o que significa a paz para essas pessoas. Provavelmente para a grande maioria signifique: cenas bucólicas, pessoas relaxando, ambientes calmos. Sendo assim pessoas animadas e divertidas têm dificuldade em se ver nesse estado, ou mesmo quererem estar nele. Buscam a paz, mas pensam que não estejam prontas, para vivencia-la.

Sem dúvida o conceito de paz está associado à serenidade - aliás prefiro este termo - e a serenidade é uma forma de se estar no mundo, portanto poder ser um tipo de ritmo interno. Neste sentido, está correta a imagem associada à paz. Mas existe uma outra forma de serenidade, aquela que vem da confiança de se saber quem se é: estar em contato com sua essência. Neste caso, serenidade depende menos de nosso estado de espírito e de nosso ritmo interno. Pessoas com ritmo vibrante por natureza podem viver serenamente de forma acelerada. Conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo porque a agilidade mental lhes permite decidir e agir rapidamente. Elas não estão no looping mental alopradamente, elas simplesmente, são mais ágeis.

Ainda confuso? Não se preocupe esta semana trataremos do ritmo interno atendendo um movimento humano que percebemos nos nossos estudos: o desejo das pessoas de desacelerar. Será que é isso? Ou será que as pessoas estão querendo entrar em contato maior com sua essência e viver com maior serenidade?

Boa semana a todos!