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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Refletindo por algo maior



Em agosto falamos aqui sobre o filme Eu Maior que, naquele momento, ainda estava sendo produzido. Agora já está em exibição em algumas salas de cinema do Brasil e também disponível no youtube. Só ontem eu consegui assistir e confesso que vou precisar fazer isso mais algumas vezes para poder dizer o que achei. 

Ele me toca muito em diversos aspectos, mas por enquanto o fica mais fort para mim é a magia no tom da voz das pessoas que, de alguma forma, se dedicam a entender o sentido maior da nossa existência. Em alguns momentos fui tomada por alguns insights e “fichas caíram”, mas ainda num nível mais inconsciente do meu sentir.

Falando com um amigo ele disse que não gostou tanto assim porque como os produtores são ligados a ioga, a obra puxa um pouco para os preceitos desta filosofia. Sim, é verdade em alguns momentos isso aparece. 

Mas consigo olhar além e encontrar a beleza de ver pessoas de origens, profissões, interesses tão diferentes colocando suas opiniões sobre o sentido da nossa existência. Não tem a ver com religião, mas tem a ver com fé. 

O filme tem cerca de uma hora de duração e pode ser um programa gostoso para este fim de semana. Enche o coração de esperança e aquece a alma. Se o tema da semana são as mulheres autoritárias e os homens fracos, pode ser uma boa oportunidade para ambos pensarem em algo muito maior do que os nossos conflitos pequenos.

Um fim de semana de reflexão para todos nós.




sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Acende a luz do trem fantasma e descobrirá que o esqueleto é de plástico!


Celebramos a semana com o movimento humano que é o desejo de integrar, de saber transitar entre o público e o privado sem abrir mão de quem você é. E de uma forma ou outra, todas as reflexões passaram pelo autoconhecimento. Já vi muitas pessoas que se intimidam com a busca do aperfeiçoamento de si mesmo, pois enxerga o lado dolorido desta história. Porém, como tudo na vida, este caminhar também não é feito só de sacrifícios. Ele é feito também de lindas descobertas, de sensações até então inexploradas de integração e paz. Vale a coragem. E a dica para o fim de semana? A sugestão é enfrentar um de seus medos para perceber como você é capaz. Não precisa ser nada arriscada. Por exemplo: eu sempre tive medo de fogo e até meus 31 anos eu nunca tinha riscado um fósforo! É isso mesmo! 31 anos! Até o dia que eu disse para mim mesma que eu passaria por este medo a qualquer preço. Fiquei hora com o palito na mão até conseguir partir para ação. Pronto. Risquei o fósforo, o medo passou e nunca mais sofri com isso. Eu criei uma metáfora para essas situações:

"Acende a luz do trem fantasma para descobrir que o esqueleto é de plástico". 

E o que isso tem a ver com o medo da jornada rumo a si mesmo? Oras...o medo de ir em frente nesta caminhada não tem nada de diferente do meu medo de riscar os fósforo. Que tal tentar?

Deixo aqui alguns ensinamento deixado por escrito por um sábio sufi chamado Hafki:

Aceite com sabedoria o fato de que o caminho está cheio de contradições.
O caminho muitas vezes nega-se a si mesmo, para estimular o viajante a descobrir o que existe além da próxima curva.
Se dois companheiros de jornada estão seguindo o mesmo método, isso significa que um deles está na pista falsa. Porque não há fórmulas para se atingir a verdade do caminho, e cada um precisa correr os riscos de seus próprios passos.
Assim como não existe duas folhas iguais numa floresta, não existem duas viagens iguais no mesmo caminho.


Um fim de semana cheio de desafios, coragem e enfrentamento para todos nós.


sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Tome uma xícara de chá


A dica do fim de semana é a mais simples que poderia existir: tome uma xícara de chá! Em Zen "tome uma xícara de chá" significa tenha um pouco de meditação, tenha um pouco mais de consciência. Então, todas às vezes que lembrar dissourante o fim de semana, pare e tome uma xícara de chá.
Deixo um lindo poema que descobri durante esta semana nas minhas pesquisas a respeito de ritmo interno. Leia para acompanhar o chá e aprecie as lindas e sábias palavras de Oriah Mountain Dreamer, no poema chamado O Convite:

Não me importa saber como você ganha a vida.
Quero saber o que mais deseja e se ousa sonhar em satisfazer seus anseios do seu coração.
Não me interessa saber sua idade.
Quero saber se você correria o risco de parecer tolo por amor,pelo seu sonho, pela aventura de estar vivo.
Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com sua lua.
O que eu quero saber é se você já foi até o fundo de sua própria tristeza,se as traições da vida o enriqueceram ou se você se retraiu e se fechou, com medo de mais dor.
Quero saber se você consegue conviver com a dor,a minha ou a sua, sem tentar escondê-la, disfarçá-la ou remediá-la.
Quero saber se você é capaz de conviver com a alegria,a minha ou a sua, de dançar com total abandono e deixar o êxtase penetrar até a ponta dos seus dedos,sem nos advertir que sejamos cuidadosos, que sejamos realistas,que nos lembremos das limitações da condição humana.
Não me interessa se a história que você me conta é verdadeira.
Quero saber se é capaz de desapontar o outro para se manter fiel a si mesmo.
Se é capaz de suportar uma acusação de traição e não trair sua própria alma,ou ser infiel e, mesmo assim, ser digno de confiança.
Quero saber se você é capaz de enxergar a beleza no dia-a-dia, ainda que ela não seja bonita, e fazer dela a fonte da sua vida.
Quero saber se você consegue viver com o fracasso, o seu e o meu,e ainda assim pôr-se de pé na beira do lago e gritar para o reflexo prateado da lua cheia: "Sim!"
Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro tem.
Quero saber se, após uma noite de tristeza e desespero,exausto e ferido até os ossos, é capaz de fazer o que precisa ser feito para alimentar seus filhos.
Não me interessa quem você conhece ou como chegou até aqui.
Quero saber se vai permanecer no centro do fogo comigo sem recuar.
Não me interessa onde, o que ou com quem estudou.
Quero saber o que o sustenta, no seu íntimo, quando tudo mais desmorona.
Quero saber se é capaz de ficar só consigo mesmo e se nos momentos vazios realmente gosta da sua companhia.


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Desconforto que liberta



O assunto da semana é a tal da liberdade. O que é ser livre para você? Você vive de fato uma liberdade ou criou uma liberdade aparente que mais aprisiona do que realmente liberta? Por conta de todas estas reflexões é que a nossa dica para o fim de semana vai propor algo que pode parecer muito estranho para você. A ideia é essa mesma: causar pequenos estranhamentos, que mexa com o que você considera confortável, que te leve a fazer as coisas de outro jeito. 

Começamos contando uma história publicada no Neo-Tarô, cartas do Osho e que fala assim:

VALOR
Não tente provar seu valor, reduzindo a si mesmo a uma mercadoria. Lembre-se, a maior experiência da vida não vem através do que você faz, mas através do amor, da meditação.

Lao Tzu e seus discípulos estavam viajando e chegaram a uma floresta onde centenas de lenhadores cortavam árvores. Toda floresta havia sido cortada, exceto uma grande árvore com milhares de galhos. Lao Tzu disse aos seus discípulos para perguntarem aos lenhadores por que aquela árvore tinha sido poupada e a resposta foi: Essa árvore é imprestável porque seus galhos têm muito nós. Não dá para usar nem como lenha, porque sua fumaça é perigosa para os olhos. Os discípulos contaram a Lao Tzu exatamente isso. Ele riu e disse: “Sejam como essa árvore. Se forem úteis, serão cortados e se tornarão mobília na casa de alguém. Se forem belos, serão vendidos no mercado, se tornarão uma mercadoria. Sejam como esta árvore, absolutamente inúteis e então crescerão grandes e amplos e milhares de pessoas encontrarão sombra sob vocês.”

Lao Tzu tem uma lógica completamente diferente da sua. Ele diz: seja o último, mova-se no mundo como se você não existisse: não seja competitivo, não tente provar seu valor – não há necessidade. Permaneça inútil e desfrute.

Tenho certeza que você sentiu, ao menos um pouco, de desconforto ao ler o texto acima. De fato é estranho pensar em sermos inúteis, não é?  Mas pense sem julgamentos e de coração aberto. Reflita sobre o real valor da sua vida e da sua essência. Faça isso durante todo o fim de semana, de uma forma bem diferente: mude seus padrões e rotinas. Faça um novo caminho, deixe de fazer algo que você sempre se programa e se tornou obrigação. Coma coisas diferentes do seu paladar do dia dia. Vá num lugar novo. Escute uma música que não é a sua favorita. Faça tudo diferente do costume. Parece fácil, mas é muito difícil e bem interessante. 

Permita-se o desconforto. E depois sinta a sensação da liberdade te invadir.

Um fim de semana bem diferente para todos nós.





sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Um pardal


A dica do finde esta semana é muito simples, mas vai fazer muito bem aos corações. Falamos a semana inteira sobre o delicado equilíbrio das relações entre mais e filhos, portanto, nada mais justo do que fazer um convite para celebrar exatamente isso. 

A proposta é levar seus pais (ou só o pai ou só a mãe ou ambos) para um gostoso passeio. Só vocês, se possível, sem celulares e outras traquitanas. 

Pode ser dar uma volta numa praça, sentar num banco e lá ficar. Não olhando para o relógio com vontade de ir embora cuidar da vida, mas acreditando que a vida está exatamente ali. Falem sobre coisas diferentes, pergunte sobre a vida deles, se mostre interessando. Tenha uma ótima conversa e agradeça por estar ali. 

Se quiser mostre a eles o vídeo abaixo e agradeça pela paciência que tiveram para ter criar.

Uma semana cheia de paz fraternal para todos nós. 

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Divirta-se. Ponto final.


Falamos a semana toda sobre a busca da nossa verdadeira identidade e da jornada que se faz no retorno a nós mesmos. Batemos arduamente na tecla de que não existe outra forma de se fazer isso se não acolhendo a nós mesmos e indo para o nosso interior. Falamos ainda que as ferramentas que se usam para isso é uma opção de cada um. Não existe certo ou errado. 

Hoje, dia da nossa dica do finde, fazemos um convite para uma tentativa de se interiorizar. Não busque um nome para isso ou um sentido. Trate como uma grande brincadeira – o que realmente é, inclusive no espaço físico já que amanhã, sábado dia 12, é o dia das crianças aqui no Brasil! Você pode fazer isso sozinho ou em um grupo de amigos que sejam íntimos. Mas só convide pessoas caso tenha certeza de que não irá se sentir desconfortável. A ideia é a seguinte:



Compre muuuuuitos doces. Doces de diversos tipos, "tranqueirinhas" mesmos. Balas, chocolates, pé de moleques, o que quiser. Lembre-se de quais eram os doces da sua infância. Se já não forem muito comuns, tentem encontra-los, como se você estivesse numa expedição em busca de um tesouro. Compre também alguns brinquedos: coisas simples, nada sofisticados. Pequenas gracinhas. Reúna tudo que comprou no centro do espaço em que você vai fazer o exercício. Coloque uma música suave ao fundo e comece a andar sem rumo pelo espaço em que está. Ande sem direção, às vezes em círuculos, às vezes não. Depois de alguns minutos andando em silêncio e respirando profundamente, comece a falar coisas sem sentido. Não precisa nem ser palavras, apenas sons. Emita sons. Isso se chama guibberish ou, em português, algaravias. Faça isso por 20, 30 minutos no máximo. Pode não parecer, mas esta é um técnica de cartase profunda e fazer mais do que este tempo, para quem não está acostumado, pode ser incômodo. Depois sente-se no chão confortavelmente, coloque sua mão direita no coração e busque, dentro de você, a figura de uma criança. Imagine-se passeando com esta criança por alguns minutos. Descreva mentalmente tudo que você e a criança estão fazendo – quanto mais detalhes melhor. Por fim, convide-a para comer os doces e brincar com você. Divirta-se comendo e brincando sem culpa por algum tempo. Uma vez na vida, comer algumas bobagens, não irão lhe fazer mal. E se sentir ridículo por estar brincando vai lhe tirar da seriedade do dia a dia. Depois fique em silêncio pelo tempo que conseguir. Reflita como você se sentiu durante este tempo, que lembranças teve, tristezas, alegrias e fique um pouco neste espaço, com você, simplesmente entregue a você. 

Um fim de semana bem infantil para todos nós.



sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Cantando para a vida



Soube pelo jornal O Estado de São Paulo (Estadão) que hoje é dia do canto. Já disse aqui que não gosto desta coisa do "dia disso e daquilo" e vou repetir que preferia quando “todo dia era dia de índio”. Mas gostei da ideia de celebrar o canto. Que tal? Vamos cantar? E tudo bem se você não é o melhor cantor do mundo. Eu, por exemplo, sou péssima cantora, mas adoro soltar a voz. Normalmente faço isso sozinha porque ninguém merece ficar ouvindo a uma desafinada feito eu. 

Gosto de ir no carro, com os vidros fechados, cantando feito louca. Também amo cantar cantigas de rodas – tenho um playlist cheio delas. Coisas como:
Eu fui no tororó beber água e não achei
Achei bela morena que no tororó deixei
Aproveita minha gente que esta noite não é nada
Se não dormir agora dormirá de madrugada
(p.s.:Acho que esta versão foi adaptada por mim, mas isso é o mais legal. Modificar a letra desde criança e continuar cantando do jeito que lembra!)

Outra que amo:
Nesta rua nesta rua
Tem um bosque
Que se chama que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele
Mora um anjo
Que roubou que roubou meu coração

E tantas outras, né? Pai Francisco, O Cravo brigou com a rosa, O Sapo não lava o Pé... Que delícia.


Mas a dica mesmo vem de um livro chamado Verdades e Mitos Sobre o Canto, de Grethe Rottboll e Jeanette Milde. Apesar do nome sério é um livro infantil que dá dicas para os pequenos cantores, através de lindas historinhas. Entre um conto e outro, tem alguns exercícios para brincar com a voz. Selecionei alguns:

1)CANTE EM AMBIENTES DIFERENTES
Observe atentamente como é o ambiente, se há móveis, se o pé direito é alto, etc. O que acontece se você fechar a cortina ou se o ambiente for bem pequeno? Qual lugar tem a melhor acústica para o seu timbre de voz?

2) PARA CANTAR É PRECISO RESPIRAR
Você já deve ter ouvido falar que a respiração é fundamental para quem canta, assim como o diafragma. E a maioria das pessoas “desaprendeu” a respirar. De repente você tem uma linda voz e só não sabe usar a sua respiração. Um exercício para respirar: deite-se no chão, com os braços esticados ao lado do corpo. Respire livremente. Observe como é a sua respiração e depois comece a respirar pensando na sua caixa toráxica, como ela abre e fecha. Coloque então um livro na barriga e esqueça o tórax. Respire com a barriga. Deixe a respiração levantar e abaixar o livro. Observe o quanto o livro se movimenta e tente deixar o movimento mais profundo. Este exercício não muda apenas a sua fluidez ao cantar. Muda o seu ritmo de vida.


3) OUVIR A SI MESMO
Coloque as palmas das mãos nas têmporas, na frente das orelhas, cante e fale. Você ouvirá sua voz de uma forma que os outros não ouvem. Tire as mãos e veja a diferença.

4) TREINE SEU OUVIDO
Há sons por todos os lados. Exercite-se, imitando os sons que você ouve ao seu redor (telefone, campainha, buzina, geladeira, ventilador). Tente identificar notas mais agudas e mais graves nas imitações.

Para terminar, vou dar a dica da matéria do Estadão: ir ao Karaokê. É muito gostoso e lá todos são amadores, portanto, ninguém vai se importar se você for um desafinado.

Um fim de semana de muita cantoria para nós.