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quinta-feira, 13 de março de 2014

Olhar para o mesmo e enxergar outra coisa


Trabalhando em agências de publicidade descobri a importância de se pensar diferente. Afinal de contas, o negócio da publicidade é feito de uma matéria-prima chamada criatividade. E dificilmente você será criativo se não olhar para o que todos estão vendo e pensar de uma forma diferente. 

Por isso, na maioria das vezes, esta matéria-prima é tão valorizada, pois certamente não é fácil pensar "fora da caixa" a maior parte do tempo, especialmente num mundo cada vez mais prático e que muda numa velocidade galopante. Não é à toa que as escolas de criatividade se multiplicam mundo afora e levam cada vez mais pessoas, principalmente jovens, a procurar por elas com sede de ferramentas que o façam mais inovadores e criativos. Não sou contra e adoro a ideia. Mas nem sempre é necessário ir tão longe em busca de inspiração. 

O que acontece é que cada vez menos queremos sair do lugar comum,nos abrir a caminhos diferentes, experimentar coisas novas. Me vem a cabeça os nossos vizinhos argentinos. Meus amigos publicitários brasileiros não vão gostar, mas atualmente eu considero a publicidade argentina muito mais criativa do que a nossa. Acredito que isso tenha acontecido por diversos motivos e, a maioria deles, porque o Brasil se tornou um mercado super importante para a maioria das marcas internacionais, portanto, não há mais espaço para errar, ousar, experimentar, arriscar. Uma pena, pois somos por essência mais criativos, na minha opinião. 

Estou falando de publicidade, mas poderia estar falando de qualquer outra coisa. Recentemente estive numa empresa de telemarketing e o diretor me contou que eles haviam acabado de comprar uma concorrente aqui na América do Sul, para avançar pelo mercado latino. A empresa comprada acabou se tornando, em muito pouco tempo, uma referência de boas práticas para a matriz brasileira, que é hoje um imenso elefante branco. Perguntei o que fazia deles um exemplo e uma referência. A resposta foi: eles fazem diferente, eles pensam num caminho alternativo o tempo todo, eles não se contentam com a acomodação. E terminou me dizendo: é como se eu não repetisse nunca o caminho da minha casa até a empresa. 

Agora chegamos a um ponto bem delicado: todo mundo odeia rotina, mas invariavelmente caímos nela. Na maioria das tarefas que desempenhamos podemos chamar de praticidade e precisamos dela para viver. Mas por que você precisa fazer todo dia, tudo sempre igual? 

Teve uma época que fiquei obcecada por esta pergunta e me propus o seguinte desafio: todos os dias vou fazer algo de uma forma diferente do que estou acostumada. O que aprendi ou ganhei com isso? Conheci muita coisa nova, tive experiências boas e ruins e ampliei minha visão de mundo. Eu gostei do resultado. Pensando bem....deveria voltar a fazer isso com mais frequência.

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Desconforto que liberta



O assunto da semana é a tal da liberdade. O que é ser livre para você? Você vive de fato uma liberdade ou criou uma liberdade aparente que mais aprisiona do que realmente liberta? Por conta de todas estas reflexões é que a nossa dica para o fim de semana vai propor algo que pode parecer muito estranho para você. A ideia é essa mesma: causar pequenos estranhamentos, que mexa com o que você considera confortável, que te leve a fazer as coisas de outro jeito. 

Começamos contando uma história publicada no Neo-Tarô, cartas do Osho e que fala assim:

VALOR
Não tente provar seu valor, reduzindo a si mesmo a uma mercadoria. Lembre-se, a maior experiência da vida não vem através do que você faz, mas através do amor, da meditação.

Lao Tzu e seus discípulos estavam viajando e chegaram a uma floresta onde centenas de lenhadores cortavam árvores. Toda floresta havia sido cortada, exceto uma grande árvore com milhares de galhos. Lao Tzu disse aos seus discípulos para perguntarem aos lenhadores por que aquela árvore tinha sido poupada e a resposta foi: Essa árvore é imprestável porque seus galhos têm muito nós. Não dá para usar nem como lenha, porque sua fumaça é perigosa para os olhos. Os discípulos contaram a Lao Tzu exatamente isso. Ele riu e disse: “Sejam como essa árvore. Se forem úteis, serão cortados e se tornarão mobília na casa de alguém. Se forem belos, serão vendidos no mercado, se tornarão uma mercadoria. Sejam como esta árvore, absolutamente inúteis e então crescerão grandes e amplos e milhares de pessoas encontrarão sombra sob vocês.”

Lao Tzu tem uma lógica completamente diferente da sua. Ele diz: seja o último, mova-se no mundo como se você não existisse: não seja competitivo, não tente provar seu valor – não há necessidade. Permaneça inútil e desfrute.

Tenho certeza que você sentiu, ao menos um pouco, de desconforto ao ler o texto acima. De fato é estranho pensar em sermos inúteis, não é?  Mas pense sem julgamentos e de coração aberto. Reflita sobre o real valor da sua vida e da sua essência. Faça isso durante todo o fim de semana, de uma forma bem diferente: mude seus padrões e rotinas. Faça um novo caminho, deixe de fazer algo que você sempre se programa e se tornou obrigação. Coma coisas diferentes do seu paladar do dia dia. Vá num lugar novo. Escute uma música que não é a sua favorita. Faça tudo diferente do costume. Parece fácil, mas é muito difícil e bem interessante. 

Permita-se o desconforto. E depois sinta a sensação da liberdade te invadir.

Um fim de semana bem diferente para todos nós.