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sexta-feira, 14 de março de 2014

Não concordo, mas aceito. De coração!

Outra virtude que vem junto com as diferenças é a tolerância: o ato de aceitar a existência de pontos de vista diferentes, conviver com eles, ainda que os combatendo.  

Voltaire escritor, ensaísta, deísta e filósofo iluminista francês odiava Rousseau, suíço, filósofo, teórico político, escritor e compositor autodidata. Um era antítese do outro, como água e vinho.  No entanto, atribui-se a Voltaire uma das frases mais nobres para conceituar tolerância. Diz assim: Não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte o vosso direito de dizê-lo.


Tolerar está cada vez mais fora de moda. Hoje não se aceita nada além do que se pensa. Não existe mais espaço nem mesmo para uma boa e saudável discussão. Isso tanto na vida pública quanto privada. A opinião do outro tem cada vez menos valor enquanto a sua própria é altamente valorizada. 

Uma pena isso acontecer. Imagino que o mundo era bem mais interessante na época de Voltaire e Rousseau onde o espaço do outro não só era aceito, mas defendido até por aqueles que não compartilhavam da mesma opinião. Abria-se assim um mundo rico de diálogos, respeito, civilidade. E ainda dizemos que no passado os homens eram menos civilizados. Tenho lá minhas dúvidas. 

Embora bem esquecido, valores como a tolerância, na minha opinião, são ultra modernos. Feliz daqueles que conseguem se manter sereno diante de um ponto de vista diferente. Vamos praticar? 

quinta-feira, 13 de março de 2014

Olhar para o mesmo e enxergar outra coisa


Trabalhando em agências de publicidade descobri a importância de se pensar diferente. Afinal de contas, o negócio da publicidade é feito de uma matéria-prima chamada criatividade. E dificilmente você será criativo se não olhar para o que todos estão vendo e pensar de uma forma diferente. 

Por isso, na maioria das vezes, esta matéria-prima é tão valorizada, pois certamente não é fácil pensar "fora da caixa" a maior parte do tempo, especialmente num mundo cada vez mais prático e que muda numa velocidade galopante. Não é à toa que as escolas de criatividade se multiplicam mundo afora e levam cada vez mais pessoas, principalmente jovens, a procurar por elas com sede de ferramentas que o façam mais inovadores e criativos. Não sou contra e adoro a ideia. Mas nem sempre é necessário ir tão longe em busca de inspiração. 

O que acontece é que cada vez menos queremos sair do lugar comum,nos abrir a caminhos diferentes, experimentar coisas novas. Me vem a cabeça os nossos vizinhos argentinos. Meus amigos publicitários brasileiros não vão gostar, mas atualmente eu considero a publicidade argentina muito mais criativa do que a nossa. Acredito que isso tenha acontecido por diversos motivos e, a maioria deles, porque o Brasil se tornou um mercado super importante para a maioria das marcas internacionais, portanto, não há mais espaço para errar, ousar, experimentar, arriscar. Uma pena, pois somos por essência mais criativos, na minha opinião. 

Estou falando de publicidade, mas poderia estar falando de qualquer outra coisa. Recentemente estive numa empresa de telemarketing e o diretor me contou que eles haviam acabado de comprar uma concorrente aqui na América do Sul, para avançar pelo mercado latino. A empresa comprada acabou se tornando, em muito pouco tempo, uma referência de boas práticas para a matriz brasileira, que é hoje um imenso elefante branco. Perguntei o que fazia deles um exemplo e uma referência. A resposta foi: eles fazem diferente, eles pensam num caminho alternativo o tempo todo, eles não se contentam com a acomodação. E terminou me dizendo: é como se eu não repetisse nunca o caminho da minha casa até a empresa

Agora chegamos a um ponto bem delicado: todo mundo odeia rotina, mas invariavelmente caímos nela. Na maioria das tarefas que desempenhamos podemos chamar de praticidade e precisamos dela para viver. Mas por que você precisa fazer todo dia, tudo sempre igual? 

Teve uma época que fiquei obcecada por esta pergunta e me propus o seguinte desafio: todos os dias vou fazer algo de uma forma diferente do que estou acostumada. O que aprendi ou ganhei com isso? Conheci muita coisa nova, tive experiências boas e ruins e ampliei minha visão de mundo. Eu gostei do resultado. Pensando bem....deveria voltar a fazer isso com mais frequência.

quarta-feira, 12 de março de 2014

Convivendo e aprendendo

Quando penso em diferenças a primeira coisa que me vem a cabeça são pessoas. Como não acreditar que o primeiro desafio do diferente é exatamente o outro, nosso irmão, semelhante, que está ao nosso lado, a nossa volta, na nossa casa, no condomínio, prédio, quadra, cidade, mundo? Isso me leva a pensar em convivência. 

Este hábito, tão comum, afinal vivemos em sociedade, pode nos trazer os aprendizados mais honrosos que podemos ter. Paciência, aceitação de pontos de vista variados, amor incondicional, desapego, bom humor são apenas alguns deles. 

Estou eu aqui pensando onde este texto vai dar e, por um instante paro para ver se é hora de apagar tudo e começar de novo ou continuar do jeito que está. Me desculpem o trocadilho, mas resolvo “conviver" com o texto do jeito como está, embora ainda me sinta bastante desconfortável com ele. Normalmente eu tenho uma história para contar a respeito do tema, mas para ser sincera, hoje nada me vem a cabeça. 

Começo a pensar no momento atual e me pergunto: como tenho convivido com as pessoas? Por estar trabalhando em casa tenho estado com menos gente do que costumava e a resposta que tenho para a pergunta é que ando meio irritada com todos. Qualquer pensamento diferente do meu tem o poder de me contrariar, por mais insignificante que seja o assunto.  Isso na verdade é novo para mim, pois uma das minhas características é a flexibilidade e a “convivência fácil”. Não fazia força para isso. Aceitava pacificamente o pensamento, desejo, manifestação do outro. Agora eu ainda aceito, por continuar querendo a paz, mas tenho que no mínimo contar até 10 ou respirar fundo para que isso aconteça. E, algumas vezes, nem consigo ser tão sublime assim, tendo reações bem adversas. 

O que mudou em mim? Pode ser que a minha atual fase, onde o nível da ansiedade, entre outras coisas, esteja me abalando, e isso me torna mais agressiva comigo mesma e com o outro. Mas sinto que tem outra coisa: conviver com o diferente também é um exercício, um treinamento, por assim dizer. Se não exercitamos continuamente a arte de estar com o outro, vamos ficando mais enclausurados em nós e menos receptivo. Por isso sinto que é hora de voltar a um lema que usei quando cheguei a São Paulo e precisava me adaptar a cidade. A qualquer convite que me fizessem, eu dizia: EU VOU. É hora de começar a “ir" de novo. 

Para fechar o assunto busquei uma animação da pixar que lembro ter assistido no cinema, anos atrás, e que encontrei no youtube. A convivência e as diferenças de um jeito muito fofo para refletirmos a respeito.