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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O rio não gasta energia para fluir. Por que a gente gasta?

De ontem para hoje fiquei me questionando: existe uma fórmula para ser simples? A pessoa nasce simples ou ela se torna simples? Ou pior ainda: a gente nasce simples e complica conforme vai crescendo? O que eu sinto, apesar de não saber responder completamente aos questionamentos que eu mesma fiz, é que a simplicidade é também um estado de espírito. É fluidez, consciência e coração aberto. 

Deepak Chopra, no seu livro As Setes Leis Espirituais do Sucesso fala de uma certa lei do “mínimo esforço” ou da não resistência. Me parece ser esta uma boa forma de “treinar" a simplicidade em nossas vida. Para ele, esta lei é formada de três princípios: aceitação, responsabilidade e indefensibilidade. 

Na aceitação o exercício é de não lutar contra o momento que você está passando, e portanto, contra o universo. Isso significa colocar todo o seu coração para aceitar as coisas como elas são e não como você gostaria que fosse. 

A responsabilidade é a respeito da situação em que você se encontra: você é completamente responsável por ela. Ninguém é culpado, nem você mesmo. Não existe culpa na responsabilidade existe total entrega para assumir o que está sentindo e, desta forma, mudar o que sente.

E por fim, a indefensibilidade: desarmar seu espírito abrindo mão da necessidade de convencer e persuadir os outros a respeito do seu ponto de vista.

Só de ler os três princípios eu já sinto uma sensação de alívio e paz. Imagina se colocar efetivamente em prática esta lei! A verdade é que nós gastamos muita energia, justamente fazendo ao contrário disso: vivemos lutando contra o que estamos passando, sempre encontramos um culpado para tudo (principalmente culpamos a nós mesmos) e, finalmente, queremos ter razão o tempo todo. Com toda esta energia desperdiçada complicando tudo, como é que podemos fluir? 

No livro a Arte de Sonhar, Don Juan diz a Carlos Castañeda: uma grande quantidade de energia é usada para sustentar a nossa empáfia…Se conseguíssemos perder um pouco dessa empáfia, dois fatos extraordinários aconteceriam: liberaríamos essa energia que tenta preservar a noção ilusório de nossa grandeza e teríamos energia sobrando para vislumbrar a verdadeira grandeza do universo.


Parece difícil? Pois saiba que basta você estar consciente da forma como luta contra o momento, busca culpados para a situação e não se entrega ao ponto de vista do outro, sem querer convecê-lo do seu próprio. Pelo benefício que essas atitudes nos trarão, vale a pena tentar!

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Nem sinônimos e nem antônimos

Complexo ou complicado?
É uma das coisas mais comuns do nosso cotidiano: a gente quer tanto simplificar que acaba complicando. Tenho certeza que você vai concordar com qualquer um dos exemplos que eu possa dar. No mundo corporativo - já que estamos falando de exemplos - todo mundo reclama das reuniões improdutivas, super longas, em que nada se resolve. Passamos mais tempo nesses encontros do que produzindo. É quase  um mantra incial os pedidos para sermos objetivos e simplificar as questões, assim ninguém perde seu tempo. Duas, três, cinco horas depois….saindo da tal reunião, o combinado inicial já caiu no esquecimento. Não é diferente dos nossos encontros sociais: quando alguém combina com o grupo para fazer um encontro, uma "coisinha simples", pode ter certeza, vai complicar. Ou nos nossos relacionamentos: pequenos detalhes, muitas vezes, viram “cavalos de batalha”. 

Eu mesma para escrever este texto compliquei tudo. Passei a manhã toda em busca de referências. Quando me dei conta, estava numa padaria, com um livro do Fernando Pessoa, buscando uma poesia que explicasse a simplicidade. A sorte é que o escritor e poeta português, pelo jeito, não era dado as coisas simples. Sua escrita rebuscada, em português de Portugal, é bem complexa. O que me ajudou a entender a diferença entre complicado e complexo e simples e simplório. 

Aprendi com um amigo artista, habilidoso com as palavras, que a melhor forma de elucidar conceitos é consultando o dicionário. Então dei um tempo para esvaziar a minha cabeça e começar de novo. O dicionários diz assim: 

Simples é um adjetivo que significa muitas coisas, entre elas: que não é complicado; fácil; rudimentar. Desprovido de afetação; natural, modesto, espontâneo. Sem malícia; singelo, puro ou sincero.

Já simplório, desculpe o trocadilho, é mais complicado, pois além de adjetivo pode ser também, um substantivo masculino. Como adjetivo trata-se de uma característica do que é crédulo; que possui excesso de credulidade. Como substantivo é: pessoa que possui essa característica; tolo, ingênuo. Homem simples, ignorante. 

Complicado também é adjetivo e significa difícil de compreender. Que procura a dificuldade.

Complexo é adjetivo: que contém muitos elementos. Mas também pode ser um substantivo masculino: conjunto de coisas com relações entre si.

Mas o mais interessante: simples não é sinônimo de simplório. Já complexo, até pode ser sinônimo de complicado - mas a recíproca não é verdadeira. 


Isso me lembrou uma historinha que adoro. Estudei em um Colégio Franciscano e eles tinham uma propriedade onde passávamos o dia algumas vezes. Era um lugar lindo, um santuário a natureza, que chamávamos de “Rondinha”. Neste lugar também tinha uma espécie de Seminário (acho que os Franciscanos usam outro nome, mas confesso que não sei). Os frades, antes de se tornar freis passavam um tempo neste local. Lá vivia um frei muito sábio e era uma honra para os frades terem aulas com este senhor. Gosto de pensar que era como um padre ir ao Vaticano ter aulas com o Papa Francisco. Um dia chegou um grupo de de novos frades e, dois deles animados por conhecer tudo por ali, pediram ao jardineiro para levar as malas deles para dentro. O senhor já velhinho olhou para os dois fradinhos, sorriu, pegou as malas e levou para dentro. No dia seguinte, estavam todos ansiosos para conhecer o frei professor sábio. Qual não foi a surpresa para os dois frades quando descobriram que o tal jardineiro do dia anterior era o professor que eles tanto esperavam conhecer. Lição de humildade, certamente. E prova de que era sábio: simples, mas não simplório. Certamente complexo também, mas não complicado.