terça-feira, 12 de agosto de 2014

O poder isonômico. O movimento humano pilar das mudanças que estamos vivendo.

O que me levou a iniciar este blog, em 11 de junho de 2013 foi a consciência que estava se acentuando de forma dramática o processo de transição que como sociedade estávamos vivendo e que a maioria das pessoas compreendia pouco sobre o que estava acontecendo com sua vida; e, o que mais me comoveu, que esse não saber, gerava dor. 

Foi assim quando captamos no Projeto Mulheres em 2010 que as mulheres todas poderosas e donas de si, estavam tristes ao constatarem que chegaram onde almejavam e, mesmo assim, continuavam infelizes; quando ouvimos os homens, no Projeto Homens em 2011, e captamos que eles estavam acuados por essa mulher poderosa mas conscientes que não queriam voltar a ser os patriarcas na sociedade, embora não soubessem bem ao certo o que desejavam da vida. Além da certeza de que a mulher e o homem contemporâneo brasileiro estavam sofrendo, mesmo com o auge econômico e o Brasil bombando na mídia, ficamos convencidos que uma mudança estrutural profunda estava acontecendo. 

Mesmo com aqueles que levantam a bandeira da retomada de modelos antigos como solução aos problemas sociais; estava claro para nós que o movimento de sair da fôrma, do molde que formatou por séculos o que era ser mulher e o que era ser homem, era um caminho sem volta. A este movimento humano chamamos de desestruturação. 

Ao longo desse ano e dois meses falamos basicamente sobre a desestruturação. O que é, como opera, como afeta nossas vidas no cotidiano. Falamos sobre nossas resistências às mudanças. Geramos reflexão sobre o que cria nossas "verdades", nossas crenças, como elas são criadas e como lidar com elas para poder se abrir ao novo. 

Falamos quais são os caminhos que o feminino e o masculino contemporâneo estão seguindo para se recriar. Trouxemos atitudes do dia a dia que afetam as relações mulheres e homens, tentando mostra a um e ao outro, como o sexo oposto pensa na tentativa de contribuir com a relação a dois. Isso tudo porque identificamos outro movimento humano, o relacionamento romântico e companheiro. Caminho que as mulheres e homens estavam escolhendo para atravessar a crise.

Neste começo do segundo ano do blog, decidi falar sobre algo que no fundo é um dos pilares da grande transição que estamos vivendo: a mudança de conceito do que é o poder. Destrinchado no Projeto Uno, realizado pela behavior em 2013, este movimento humano, ao qual denominamos de poder isonômico, foca em como o poder conforme o conhecíamos, focado na estratificação e hierarquias está caindo por terra.

Vamos saber um pouco mais sobre isto? 

Boa semana para todos.


sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A gratidão por poder viver este estranho momento

Escrever sobre o tema desta semana sem pensar no meu próprio momento é quase impossível. Na verdade eu preferia simplesmente contar uma história e me ausentar, mas nada me parece mais genuíno do que o meu próprio despertar. Então vamos lá.
Sabe aquela sensação de quando você toma relaxante muscular e depois que o efeito do remédio vai se desfazendo no seu corpo parece que seus músculos estão se esvaindo também? Pois é assim que me sinto. Eu tive um inverno bem rigoroso este ano. Muito tempo me foi dado para a reflexão e o descanso. Tive tempo para deixar ir tudo aquilo que já não me faz feliz. Sonhei e dormi infinitamente. Mas agora ainda não consigo despertar com todo vigor. Estou sonada, embora com muita vontade de agir. Isso me incomoda. Muito. No mundo físico sou daquelas que já acorda pela manhã a mil por hora e pronta. 

Mas o despertar da minha alma resolveu me ensinar uma nova lição: o acordar com calma, com preguiça, ainda sem vontade. Por mais que a mente queira acelerar, coitada, esta batalha ela perdeu. É impossível. Mas e daí? O que estou aprendendo com isso? 

Primeiro estou aprendendo a ter paciência. Preciso fluir com calma, no ritmo que o corpo me impôs. Tenho vontade de chorar. Sinto até raiva, mas de nada adianta. 

O segundo aprendizado é o da consciência em si. Depois de tanta reflexão, de deixar ir tanta coisa, eu simplesmente quero voltar ao que era? Não! Claro que não. Então é hora de fazer diferente. De amadurecer com calma. De ir sentindo a realidade, apreciando a neve que ainda congela boa parte da minha alma. 


Assim tenho vivido. Mais do que nunca. Com vigor. Com sentimento. E com gratidão, pois por mais difícil que esteja o aprendizado de tantas novidades, tudo tem sido rico e verdadeiro como tem que ser. Mas que é estranho é. Muito estranho.



quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Contemplar é sentir o sabor

Fui almoçar com um amigo que é chef de cozinha e dono de restaurante. A vida dele é uma agitação sempre no mesmo horário, durante o almoço. Sempre fico abismada ao vê-lo trabalhando. Passado o estresse daquele momento, ele se senta calmamente, pede uma taça de vinho e almoça com toda tranquilidade, saboreando mais um dia.

Hoje não foi diferente. Assim que se sentou me contou animado que havia, finalmente, tomando uma decisão: vai abrir outro restaurante. Já tinha o local, o sócio, tudo, enfim. Eu mais do que depressa, comemorei: "Que maravilha! Quando será a inauguração?”. Ele, como bom italiano me respondeu: "Mas está com pressa por que, Bela?" .

Eu disse: "Ué…você disse que ia abrir outro restaurante e já está tudo certo, achei que já era fato". E ele, como calma, me disse:" Fato é. Mas agora vou começar a sentir como é isso para mim”. 

Me lembrei então do nosso tema da semana e conversamos a respeito. Eu tenho em minha essência fazer tudo muito rápido. Não pondero muito as coisas e fico meio sem paciência quando, decidido algo e já não começo a agir na mesma hora. Muitas vezes na madrugada! 

Na maioria das vezes funciona para mim ser assim. Porém tenho aprendido, muito em função do meu trabalho com a Nany, a refletir melhor sobre as coisas. Sentir o meu querer. Assim como o meu amigo está fazendo. Sem atropelar o momento.  É um exercício, pois minha natureza diz que tem que agir e não contemplar. 

A questão em ser assim é que passei a maior parte da vida fazendo, fazendo, fazendo. Sem a parte do saborear. Pode ver….que é assim não saboreia nada. Até para almoçar tudo é rápido, corrido. Mas é legal, ir aos poucos aprendendo a ser diferente. 


Perguntei, por fim, quando meu amigo pretendia então estar com o novo restaurante pronto e ele, sabiamente, me respondeu sorrindo: “Quem sabe quando a primavera chegar possamos fazer a festa das flores lá". E eu respondi brincando: "Pelo andar da carruagem estou achando que isso acontece lá pelos meados do verão". E ele, sem pestanejar validou: "Aí tomamos um vinho branco gelado e celebramos a hora certa". 

E que assim seja! 


terça-feira, 5 de agosto de 2014

A roda do ano. Os ciclos da vida. Como você anda no ano do Cavalo?

Todos nós estamos num processo de mudança. O ano da serpente nos pegou por mais que quissessemos fugir. Muitas vezes essas mudanças nos atingem em cheio tal como uma onda forte que nos derruba no mar. Não dá para pensar, não dá nem para respirar. Mas uma hora todo fica calmo e é hora de se levantar e começar a andar. É o ano cavalo dando o tom nos provocando a iniciar nossa marcha firme, de peito aberto como falamos nos post de início do ano chinês 2014.

Acredito que o primeiro semestre passamos assimilando e digerindo as mudanças, e agora sentimos que é a hora de agir. A minha sugestão é que antes de sair planejando por ai, ativando o mental comumente acelerado, se dê o tempo para despertar. Para tomar consciência do que você deseja, realmente. Ouvir seu coração antes de decidir. Antes de seguir por inércia o que você escolheu como destino.

Há mais de 15 anos trabalho o conceito de roda do ano na minha vida. É simples, como quase tudo que vale a pena nesta vida: a idéia é se alinhar com o tempo da terra e do universo. Se estamos no inverno, dormimos mais, comemos comida mais quente e aquecemos o corpo e a alma com alimentos físicos, espirituais, emocional e psiquicos que nos ajudem a hibernar.

No final do inverno antes da chegada da primavera – o tempo que estamos agora – é hora de despertar do sono longo e frio do inverno. É um período de começar a abrir as janelas, sacudir os cobertores, arejar a casa, rever os amigos e conhecidos. Os movimentos são lentos, doces e agradáveis. Quem faz algum tipo de treinamento físico sabe que primeiro devemos aquecer o corpo antes de forçar alguma atividade. Igualmente acontece com nosso “tempo”. Precisamos começar a acordar, sem a pressa do próximo movimento que o mental nos impõe, sem dar poder à paranóia de “perda de tempo” que o mundo moderno coloca em nós.

Aprendi que quanto mais nos associamos com o tempo da terra e do universo agimos de forma mais precisa, no tempo certo, sem desperdício de energia. Como o Yoga e o Pilates ensinam bem. O tempo agora é de trazer para o consciente o que o sono invernal trouxe para você. O inverno é tempo de reflexão consciente e inconsciente. A saída de inverno é o tempo de relembrar essas reflexões e começar trazê-las a luz do nosso consciente para poder, ai sim, organizar, planejar e semear no tempo certo.

É sobre este despertar que iremos falar esta semana.

Boa semana a todos.



quinta-feira, 31 de julho de 2014

A paz precisa do perdão.

Parece difícil perdoar. Acompanho como todos a violência que está acontecendo entre Israel e Palestina e me entristece profundamente notar que há tanta dor de ambos os lados. Uma dor que continua sendo alimentada a cada ataque, a cada disputa. Cada um com suas razões e responsabilidades. Cada um com seus direitos. Mas uma coisa que sempre me pergunto: será que eles querem a paz? Digo isto porque existem pessoas, culturas, que estar em conflito é parte do viver. A paz, consciente ou inconscientemente não tem sentido. O valor pessoal passa pelo vencer. E o vencer tem valor quando é vencer a alguém.

Me recuso a entrar na questão de Israel e Palestina por completa ignorância de todos os detalhes e porque sei que há muita dor do presente e do passado para estar mexendo nisso. Mas toquei nesse assunto porque as vezes estamos tão enraizados num ambiente que seus valores são para nós como se fossem uma verdade absoluta. Fica difícil ver através de outros pontos de vista.

Vivemos numa cultura onde a competição é valorizada. Onde para subir alguém tem que descer. Num ambiente competitivo impor nossa verdade faz parte da força motriz. Seja por autoritarismo, seja por arrogância em achar que sabemos o que é melhor para o outro... não importa, o fato é que se impõe uma verdade. 

Numa cultura como esta, perdoar fica difícil porque para perdoar é necessário ceder. Abrir o coração para compreender que razões de um outro que talvez sejam bem distintas das nossas, fazem sentido para alguém ao ponto de conduzir sua vida. Abrir o coração para outras verdades além das nossas.

A partir dessa compreensão podemos avaliar e decidir. Se mantermos nosso ponto de vista como única realidade fica difícil o perdão de coração aberto. O perdão neste caso acontece quando o perdoado diz que estava todo errado. Mas será que esse arrependimento é verdadeiro? Ou será só uma forma de reatar a relação mas no fundo seus valores e crenças não mudaram? 

Para perdoar precisa se valorizar a paz acima da competição. Abrir mão da posição da estar sempre certa. De ter sempre a razão. Quando esse estado acontece, o que importa é a paz, é a conciliação.






terça-feira, 29 de julho de 2014

Amar exige perdoar. E perdoar significa aceitar. Estamos prontos para isso?

Neste período de luto tenho pensado muito no que é realmente importante nesta vida. Creio que essa resposta, obviamente, depende dos valores de cada um. Os nossos valores regem a nossa escala de preferências, o que consideramos importante. Para alguns ter dinheiro, pode ser o que vale mesmo a pena nesta vida. Para outros, ter dignidade; para outros, ter sucesso... e assim vai, cada um com suas preferências e sua escala de valores. 

Para mim, hoje, o que vale mesmo na vida é amar. Dar amor. É um sentimento que tem me preenchido muito. Muito mais do que receber amor. Dar amor por algum motivo tem sido muito mais gratificante e re-estabelecedor do que receber. Talvez seja porque o receber agrada, mas deixa a gente dependente. Dar amor enobrece a alma e nos torna mais fortes, seguros, auto-suficientes. Aspectos importantes para mim.

É claro, que isso não significa que não goste de receber amor. Imaginem!!! adoro receber amor. Ser amada. Mas é como se isso fosse realmente menos importante do que expressar e dar meu amor. Tenho me fortalecido com esse ato. Tenho me sentido bem. Quanto mais tenho exercitado o amor, mais preenchida e plena tenho me sentido.

Ao dar amor, compreendi que antes é necessário perdoar. Não é só compreender a posição do outro, seu ponto de vista, suas razões, sua visão de mundo; mas aceitar e deixar para atrás. Iniciar de novo. Permitir-se recomeçar, de fato.

É importante, entretanto, que esse recomeçar seja reconhecendo a pessoa tal como ela é. Por isso disse anteriormente, aceitar. Perdoar não significa se iludir. Acreditar que a pessoa mudou. Que as coisas serão diferente, se a pessoa perdoada, não mudou se padrão de crenças e valores. Iremos quebrar a cara novamente. 

Perdoar significa compreender, aceitar e a partir dessa aceitação - e não de desejo de mudança do outro - recomeçar. Eu sempre digo que posso compreender mas nem sempre aceitar. Nesse caso, perdoo mas não quero conviver. É um direito que tenho. Os valores da pessoa perdoada, neste caso, não me interessam. Espero que ela seja feliz mas sigo meu caminho. Em outros casos, perdoo e aceito. Sei que a pessoa pode não mudar, mas aceito viver com esses valores. Sem brigar com eles. Sem me chocar. Sem deixar que isso me atinga de forma a prejudicar minha relação. É neste ponto, que a gente pode voltar a amar.

É sobre isto que iremos falar esta semana: amar e perdoar. Boa semana para todos.

terça-feira, 22 de julho de 2014

O luto. Hora de parar, assimilar e se preparar para recomeçar.



Deveria ter começado o tema da nossa semana ontem, segunda-feira, mas meus dias andam lentos e estou me dando o direito a recobrar aos poucos a vida. Como comentei no meu post O último legado de nossos pais: acompanhá-los no fim da vida, o desgaste de cuidar dos pais no fim da vida, é maior do que imaginamos.

Somente agora estou sentindo o cansaço e meu corpo manifesta o estresse que enfrentou nos últimos anos. Graças a Deus, tenho a Isabela, minha companheira neste blog, que assumiu os temas neste período. Mas esta semana decidi recomeçar a escrever e quando estava começando, recebi uma mensagem dela, me avisando que seu pai acabava de partir. Com menos de um mês de diferença da minha mãe, estávamos passando pela mesma situação. Por isso decidi deixar o mental de lado que me dizia: escreva, o blog não pode parar; e decidi respeitar nosso tempo de luto. 

Fiz isso porque acredito que as coisas têm seu tempo para acontecer. Que nossos corpos físico, mental, emocional e psíquico precisam da sabedoria do tempo para operar normalmente após um trauma maior. Tempo para se reorganizarem. Tempo para assimilar tantas informações e deixar a adrenalina abaixar. Tempo para se re-estabelecer. Isso é o que significa para mim, o tempo de luto.

Pena que a vida moderna que nos impomos nem sempre permita isso. Mas a Isa e eu nos permitimos. Dentro dos limites de nossas obrigações e compromissos, nos permitimos. Sei que há situações, empregos que isso não é possível. Mas também sei que muitas vezes cedemos à vozinha mental que nos diz: "Não deixa a peteca cair. Seja forte. Demostre que você está bem". 

Neste momento em que o bem mais precioso, além da saúde, é a felicidade, ficar triste parece um pecado, um defeito. Na busca da tal felicidade, não nos permitimos viver a dor da tristeza; tão necessária para equilibrar e reconhecer o melhor da alegria. Não respeitamos o tempo de luto, fundamental para o recomeçar.

Chorar, como fiz hoje com uma amiga ao telefone lembrando da minha mãe. Ficar quieta, sentir saudades. Que bom que posso viver tudo isso. Que bom que posso me abrir para o carinho e amor dos ombros amigos, dos peitos abertos para um abraço, tão queridos, tão próximos.  

Nosso blog está de luto. Homenageando nossos pais, e respeitando nossa dor. 

Boa semana para todos.